É uma peça de humor da pior qualidade a entrevista dada pelos filhos do deputado Jair Bolsonaro, defendendo-o das "injustiças" que ele está sofrendo. Separei dois trechos.“Ele tem uma opinião que é polêmica, que vai contra o politicamente correto e que tem que ser respeitada. (...) O que a família Bolsonaro faz nada mais é do que valorizar conceitos e valores da família, valores éticos, valores morais e certamente isso incomoda muita gente”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Não vou nem falar do suposto racismo, porque tenho para mim que o Bolsonaro não entendeu a pergunta da Preta Gil. Mas homofobia é um valor ético e moral? Que moral é essa que defende qualquer tipo de discriminação?
Acho curioso que os filhos façam uma ode ao direito de opinião e o pai defenda com unhas e dentes o Regime Militar. Me parece paradoxal. Afinal, nenhuma ditadura é lá muita amiga de qualquer tipo de liberdade.
Falando no Regime Militar, tem uma declaração dos filhos a respeito.
"Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda assim vota mal."
Não vou abrir uma polêmica sobre o que se tinha ou não tinha naquela época. Só quero dizer que numa coisa eu concordo com a família Bolsonaro: muita gente vota mal.
Afinal, os três Bolsonaros estão em cargos públicos.
Mas, numa democracia, isso é fácil de corrigir.
Mas tem uma coisinha que aproxima o estúpido Bolsonaro dos esquerdistas: odeia Fernando Henrique e as privatizações.
ResponderExcluirMas onde está a novidade nisso, Olga? O Regime Militar foi o mais estatizante da história. Ele não tem nenhuma aproximação com os esquerdistas, e sim com a própria ideologia do Geisel, Medici e outros.
ResponderExcluirO Bolsonaro representa a pior ala da "opinião política" no Brasil, que é justamente essa ala militarista, que como disse a Olga, compactua com alguns princípios de esquerda como o Estado forte; o movimento tenentista da década de 20, por exemplo, trouxe a tona essa questão pro centro dos debates públicos: embora tenham contribuido pra Revolução que colocou Vagas no poder e, naquela época, até representassem de certa forma os interesses das classes médias urbanas, rapidamente esses tenentes foram alijados do novo governo por possuirem uma visão muito autoritária do que deveria ser a "nova República". Da mesma forma nos anos 60, quando o capitalismo liberal do livre mercado disputava espaço com o Socialismo científico, que previa o intervencionismo estatal, foi necessário recorrer ao Exército para garantir que o Brasil não envergasse pro caminho mais a esquerda; os militares foram de certa forma desenvolvementistas, e muitos carregam esse orgulho até hoje, inclusive quando discutem com esquerdistas, alegando que naquela época o país tinha um projeto de nação e chegou a atingir um franco crescimento econômico graças a "mão firme" dos governantes. Mas essa mão firme da corrente do Bolsonaro é amplamente diferente do que defendeu Marx, e não se sustenta por muito tempo, pois é excludente, segregadora e até mesmo violenta; o golpe teve fim, o Brasil atingiu a democracia e muitos são aqueles que choram de saudade daquele tempo, se havendo de argumentos hipócritas como "o FHC é mais a direita que o Bolsonaro, porque é privatista". É preciso ter cuidado com esse tipo de argumento porque, embora eu não goste da venda do Brasil promovida nos anos do PSDB, é certamente muito melhor perder algumas empresas públicas do que ver milhares de pessoas morrendo e desaparecendo simplesmente por defenderem as suas idéias.
ResponderExcluirNossa, a gente está levantando várias bolas à feição para o Carlos chutar. E seria ótimo se ele o fizesse. O Carlos, obviamente, não defende o Bolsonaro e, ainda que não tenha simpatias pelo estatismo, também não tem nenhuma pelo Fernando Henrique (acho). Mas o Guga levantou um ponto em que o Carlos é bem combativo. A questão do projeto de país no tempo do governo militar sempre foi defendida com bons argumentos pelo Carlos. Lembro de bons textos do Carlos no Tribuneiros sobre isso.
ResponderExcluirA Olga levantou essa questão direita/esquerda que me parece ser bastante pertinente. Porque a luta pela democracia tem que tratar de liberdade acima de tudo, sem o "mas lá em Cuba funciona" ou "na época dos militares tinha emprego". Se a direita tem seus Pinochets, a esquerda também tem que conviver com a pena de morte cubana, os referendos chavistas e tal. O regime cubano também é homofóbico, aliás. É por isso que eu acho que mais vale o Tiririca do que qualquer forma de ditadura.
ResponderExcluirComentario da Olga, que teve problemas interneticos e me pediu para escrever aqui: “É impressionante como os extremos quase sempre se tocam”
ResponderExcluirO comentário do Moutinho, acima, postado num texto do Pim, lá no Tribuneiros, cabe no "evento Bolsonaro". O discurso cretino do Bolsonaro, radical, tem muito do discurso de boa parte dos militantes esquerdistas, e ambos me assustam.
Focca, estou cansado... Ou estarei mesmo velho? Ou sem paciência? Ou tudo? Enfim... Nem consegui concluir a leitura do que o Gustavo escreveu. Mas ele certamente está errado.
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