O bar era desses tradicionais. Até bonitinho, como esses que pululam por aí, mas onde o luxo mesmo era a cerveja estupidamente gelada e o tempero indecente do tira-gosto. Estava na calçada, com uns amigos, novos e antigos, a cerveja quebrando o calor senegalesco do verão carioca, as gargalhadas no meio tempo dos goles, quando uma das moças volta do banheiro.
- Tá rolando um bate-boca daqueles lá dentro.
E voltam-se a atenção para os copos, para a carne-seca com aipim e para as piadas. E tudo vai bem quando a gritaria interrompe a história de um casal fagocitoso nas areias do Arpoador. E é gente se embolando, cadeira voando, mulher berrando, puxando seus homens do meio do bolo. A briga vinha em direção à mesa, levantam-se todos, cada um protegendo o próprio copo, assistindo a cena deplorável. Depois de uns bons sopapos a turma do deixa-disso enfim consegue separar os brigões e mandar cada um pra um lado.
Passado o susto volta-se para a mesa e o papo vai tomando novamente rumo. Em breve a gelada já vai fazendo bem e a briga se torna lembrança pegando poeira nos cantos da memória. Lá pelas tantas, todo mundo já nos doze avos, pede-se a conta enquanto se decide se vamos mudar de boteco ou voltar para casa. Conta paga, despedidas e resolvo pegar mais uma... a saideira de praxe para me acompanhar na volta - ou até o próximo bar, o que eu resolver no caminho ‑ chamo o garçom amigo pra matar a curiosidade:
- Mas e aí? Qual o problema da briga?
- Mulher.
Tinha de ser, quase sempre o problema é saia. Insisto
- Mas foi um olhando a mulher do outro?
- Pior. A mulher de um era a ex do outro. Ele viu e quis devolver. O cara não aceitou e aí já viu, né?

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