terça-feira, 29 de março de 2011

O racismo metido a engraçadinho

"Não somos racistas", diz o livro do jornalista Ali Kamel. Confesso que não li o livro, então imagino que Kamel tenha argumentos sólidos para embasar sua tese.

Mas, volta e meia, alguns fatos parecem desfazer a teoria.

Não me refiro ao Jair Bolsonaro, assunto do momento (que fase!).

Falo de uma forma de racismo bem menos caricata, hostil e declarada.

É o racismo engraçadinho.

Há alguns dias, me deparei com uma mensagem divertidinha enumerando razões para acreditar no fim do mundo. Uma delas seria o fato de Lázaro Ramos ser galã na novela das oito.

A piada parece fazer sucesso, dado o quadro "Lázaro Ramos da vida real", no programa Pânico.

O Brasil já teve galãs de todos os tipos, numa lista que inclui de Francisco Cuoco a Fiuk.

Lázaro Ramos é a novidade da vez. Pegador, meio cafajeste e bem-sucedido na profissão de designer, um feudo da elite branca e bem-nascida.

Ator de enorme talento, Lázaro acumulava, até então, papéis engraçados, meio miseráveis, atrapalhados. De motoboy a homem-sanduíche.

Rico e pegador era novidade.

Causou estranheza.

Mas Lázaro é feio? Não sei, mas Wagner Moura está longe de ser um Gianecchini e nunca estranharam que ele virasse galã.

Wagner é charmoso, dizem.

Verdade. E Lázaro não?

Ambos tiveram a mesma origem, são cultos, bons atores e carismáticos.

Mas Lázaro é negro.

Talvez aí esteja a diferença.

Um pegador negro, para muitos, é difícil de engolir.

Mas, claro, racista é o deputado.

3 comentários:

  1. A gente ainda é província (e colônia) e não aceita isso

    ResponderExcluir
  2. Eu achei o Lázaro Ramos, ator que sempre admirei, um pouco canastrão como sedutor. O texto ruim contribui muito, evidente. As cenas de sedução são muito superficiais, há um forçar de barra evidente. O personagem é muito irresistível demais. Pegação bem sucedida, facinha, até em caminhada matinal é dose!

    Juro que me questionei sobre ser preconceito. Ainda que fossem o Rocco Pitanga (lindo!)ou o Brad Pitt, tenho a impressão que acharia da mesma forma, sei lá.

    ResponderExcluir
  3. O texto da novela toda é dose. É até duro ver a novela às 21h e depois ver Vale Tudo mais tarde. A Deborah Secco, por exemplo, faz o mesmo papel há séculos. Mas o texto dela não ajuda em nada. É uma mistura de Zorra Total com uma ingenuidade impossível numa mulher, teoricamente, tão rodada.

    ResponderExcluir