"Não somos racistas", diz o livro do jornalista Ali Kamel. Confesso que não li o livro, então imagino que Kamel tenha argumentos sólidos para embasar sua tese.Mas, volta e meia, alguns fatos parecem desfazer a teoria.
Não me refiro ao Jair Bolsonaro, assunto do momento (que fase!).
Falo de uma forma de racismo bem menos caricata, hostil e declarada.
É o racismo engraçadinho.
Há alguns dias, me deparei com uma mensagem divertidinha enumerando razões para acreditar no fim do mundo. Uma delas seria o fato de Lázaro Ramos ser galã na novela das oito.
A piada parece fazer sucesso, dado o quadro "Lázaro Ramos da vida real", no programa Pânico.
O Brasil já teve galãs de todos os tipos, numa lista que inclui de Francisco Cuoco a Fiuk.
Lázaro Ramos é a novidade da vez. Pegador, meio cafajeste e bem-sucedido na profissão de designer, um feudo da elite branca e bem-nascida.
Ator de enorme talento, Lázaro acumulava, até então, papéis engraçados, meio miseráveis, atrapalhados. De motoboy a homem-sanduíche.
Rico e pegador era novidade.
Causou estranheza.
Mas Lázaro é feio? Não sei, mas Wagner Moura está longe de ser um Gianecchini e nunca estranharam que ele virasse galã.
Wagner é charmoso, dizem.
Verdade. E Lázaro não?
Ambos tiveram a mesma origem, são cultos, bons atores e carismáticos.
Mas Lázaro é negro.
Talvez aí esteja a diferença.
Um pegador negro, para muitos, é difícil de engolir.
Mas, claro, racista é o deputado.
A gente ainda é província (e colônia) e não aceita isso
ResponderExcluirEu achei o Lázaro Ramos, ator que sempre admirei, um pouco canastrão como sedutor. O texto ruim contribui muito, evidente. As cenas de sedução são muito superficiais, há um forçar de barra evidente. O personagem é muito irresistível demais. Pegação bem sucedida, facinha, até em caminhada matinal é dose!
ResponderExcluirJuro que me questionei sobre ser preconceito. Ainda que fossem o Rocco Pitanga (lindo!)ou o Brad Pitt, tenho a impressão que acharia da mesma forma, sei lá.
O texto da novela toda é dose. É até duro ver a novela às 21h e depois ver Vale Tudo mais tarde. A Deborah Secco, por exemplo, faz o mesmo papel há séculos. Mas o texto dela não ajuda em nada. É uma mistura de Zorra Total com uma ingenuidade impossível numa mulher, teoricamente, tão rodada.
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