Esses dias duas notícias me chamaram a atenção. Foram cancelados uma peça de teatro e um show por conta de comentários preconceituosos de um ator e do baterista de uma banda adolescente. Se antes, notícia ruim já andava rápido, em tempos de internet e globalização essa característica foi amplificada. Há algum tempo, ainda podia-se apelar para os mal-entendidos, que não tinha sido bem assim. Hoje, gravações em celulares, "print screen" de telas com mensagens em Twitters e afins permitem que as besteiras sejam lembradas e passadas adiante repetidas vezes, não deixando que o responsável pela celeuma descanse.
A grande maioria das pessoas fala sem pensar. Sem exceção. Mas opiniões em mesas de bar e conversas entre amigos acabam levadas pelo vento, esmaecidas pela quantidade de informações a que somos bombardeados. Mas quando essas gafes são escritas ou gravadas, não há como fugir. Por mais que os autores tentem se desculpar, o estrago está feito. E só aumenta.
Não sou a favor do politicamente correto chato e insosso que grassa por aí. Parece hoje que ter opinião e dizer que não gosta de algo é uma afronta. Todo mundo tem de ser legal, gostar de tudo e de todos. Isso não é gentileza, é afetação. Eu posso não gostar de um cantor ou escritor e mesmo assim respeitar o trabalho dele. Posso não ter boas lembranças de uma determinada cidade ou até uma implicância com ela. Mas isso não me dá o direito de desrespeitá-la ou a seus habitantes. Até porque é bem capaz de minha opinião mudar quando eu tiver mais tempo de conhecê-la e apagar a primeira má impressão que tive.
Essas duas histórias me lembram cena de um certo filme, cujo nome não me recordo. Era um filme de guerra, onde um soldado escrevia um diário e nele, além de narrativas do dia-a-dia da guerra, escrevia o que pensava sobre teus companheiros. Um dia esse diário é lido pelos outros soldados, gerando um desconforto imenso e o autor passa a ser ignorado pelos colegas. Ele então reclama com um superior, dizendo que nada ali era uma verdade absoluta, eram apenas impressões pessoais. O militar então responde que, a partir do momento em que ele escreveu, as impressões se tornaram uma realidade e, mesmo que não sejam verdadeiras, serão tomadas assim, já que agora estão registradas em algum lugar.
Parafraseando o que está espalhado pelos postes da cidade: Vale o que está escrito (e gravado).

Lion, agora é vale o que está impresso. Tá pensando o quê? Eles acompanham o tempo.
ResponderExcluirBoas colocações, Lion. Tá perigoso até mesmo pensar.
Mas o que me apavora mesmo é saber que uma peça foi censurada, impedida de acontecer por conta de um comentário de gosto duvidoso. Isto, sim, é um absurdo. E a tal da liberdade de expressão? A cidade se sentiu ofendida? Não vá assistir. Vá e vaie, no final. Mas impedir a encenação, achei arbitrário.
Boa, Olga... tem de ser assim, o cara tem de pensar antes de falar. Não pensou, segura a marimba e mostra a cara!
ResponderExcluir