quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lula, o presidente que fez história

Termina o mandato do presidente que talvez tenha sido o mais popular da história do país. Lula precisou de quatro eleições para se tornar chefe de governo. Mais do que isso, precisou deixar de ser Lula e ser o Lula amigo do Sarney, dos banqueiros e empresários.

Lula diz que nunca foi socialista. Segundo ele, sua noção de socialismo é dar aos trabalhadores o mínimo que o welfare state pode oferecer: emprego, estabilidade, dinheiro para fazer compras e tomar sua cachacinha.

E, quando foi saudado por Obama como "o cara", há quem diga que foi o auge disso: o pseudo-socialista Lula talvez tenha sido um dos estadistas que salvou o capitalismo.

Entre as muitas teorias sobre Lula, chama a atenção a que diz que o escândalo do Mensalão foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Ali, dizem os especialistas, Lula passou a ser mais Lula e menos tolhido pelo partido. Fez suas alianças, usou seu carisma e botou no bolso as lideranças que o acompanhavam.

Dali pra frente, sua popularidade nunca mais caiu e produziu um fenômeno curioso: o que saía na imprensa, correto ou não, não batia com o que vinha das ruas. O povo o amou até o fim, mesmo que os jornais dissessem que seu governo só fazia besteira.

Correto ou não, Lula entrega um país muito melhor do que o que recebeu em 2002. Para quem viveu os anos 80, é curioso viver num Brasil sem inflação e dívida externa. O fim da inflação devemos a Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. O pagamento da dívida externa é mérito de Lula, aliado às vantagens de uma economia estável recebida dos antecessores.

Fica a impressão de que Lula foi um bom presidente, sim. Mas que esse país que sediará grandes eventos internacionais e chama a atenção do mundo não tem a ver só com ele, ainda bem. A grande esperança é que seus grandes feitos tenham sido consequência de um país maduro, pronto para ser mais respeitado.

Um país não de um presidente com jeitão de pai. Um pais amadurecido, que começa a decidir o que quer ser quando crescer.

Ops!

Saí de casa um pouco apressado. Atrasado, a bem da verdade. Peguei a primeira camisa do guarda-roupa, pus os fones de ouvido, a carteira e o crachá no bolso e vim trabalhar.

Quando saltei no segundo ponto de ônibus - sim, sou desses que tem de pegar duas conduções para chegar no trabalho - notei que tinha pego uma camisa com a barra puída. Apenas a costura que havia se esgarçado, deixando um pedaço ínfimo da camisa meio roto. Mas aquilo me incomodou. Ninguém olharia a não ser eu para as duas polegadas descosturadas da barra de uma camisa comum.

Estava eu ali, reclamando sozinho da camisa rota quando ele virou a esquina. Numa das mãos ia uma garrafa d'água dessas grandes, de litro e meio. Sem parar de andar, ele ia jogando água na outra mão, e com ela, ia ajeitando a cabeleira. Tinha uma idade indefinida, moreno, a barba enorme lembrava um Barão de Munchausen que eu vi num livro de quando era criança. A ponta bicuda, num triângulo quase perfeito, as pontas reviradas do imponente bigode.

Vinha usando um paletó que um dia já devia ter sido azul marinho. Acho difícil ter visto algum dia camisa e calça mais encardidas. Apenas um dos pés vinha acompanhado de uma havaianas azul. O companheiro seguia na sola mesmo pelo asfalto.

Ele passou por mim, balbuciando coisas ininteligíveis, a cabeleira revolta já domada pelas várias mãos molhadas. A garrafa sob o braço dobrado. Ia quase marchando. Se alguém colocasse dragonas naquele paletó ele ficaria tal e qual um general depois da batalha perdida. Maltrapilho, mas ainda com honra e fleuma.

Ri cá comigo mesmo, ignorei a camisa puída e, mesmo com o tempo nublado, achei o dia bonito. Enfim.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Marcelo Adnet - resenha afetiva

O IBH (Índice Bezerra de Humor) sempre procurou medir o grau de talento humorístico sob critérios rigorosíssimos. Se a tirada provoca risos por dias e dias - ou meses, em certos casos; quiçá anos... - é porque o comediante, de fato, é talentoso.

E o único humorista que, até o momento, atendeu a todas as exigências do IBH foi o Marcelo Adnet. Ou Adné, sem ‘t’ mudo e a vogal ‘e’ acentuada em agudo, conforme meu amigo Jheyson Ribeiro faz questão de pronunciar.

(Minto. Antes de Adnet - ou Adné, né, Jheyson? -, só mesmo o Mr. Bean conseguiu tal êxito. Parafraseando o dito-comum, aliás, eu diria que mais vale um Mr. Bean calado do que mil Repórteres Vesgos eufóricos).

Já não é de hoje que eu quero sentenciar a seguinte máxima: Marcelo Adnet é uma abundante e inesgotável fonte de criatividade, em se tratando de humor de bom gosto.

Comediante completo (disparado o melhor do Brasil na atualidade, na minha exaltada opinião), Adnet tira sarro de tudo e de todos, de maneira cáustica e impiedosa, mas com tamanha e absurda comicidade, que é difícil - e até improvável - que haja quem se sinta ofendido com suas gozações.

Pelo contrário.

É bem possível que muitas das celebridades (e pseudocelebridades, claro) imitadas por Marcelo - José Wilker, inclusive - se sintam lisonjeadas.

Outro lance: o humor de Adnet está nos detalhes.

Um exemplo?

A MTV exibiu, há poucas semanas, o último episódio do programa 15 Minutos, que contou com a participação especial de Chico Adnet e Lula Queiroga - pais de Marcelo e de Rafael, respectivamente.

A certa altura, quando Chico e Lula revelam aos filhos que o quarto do apê de Humaitá (cenário das gravações), no Rio, não passa de um dos estúdios da emissora, que fica no bairro de Sumaré, em Sampa, Adnet e Queiroga - incrédulos - começam a questioná-los, numa atuação mais convincente que a de qualquer canastrão mexicano.

Já conformados, os dois comediantes são retirados por seus pais da sede da MTV.

Logo em seguida, no fim do programa, todos eles saem abraçados, caminhando pela rua - em direção às suas casas, é óbvio -, ao som de “Novo tempo” (o detalhe maior, a cereja do bolo, o crème de la crème!), clássico popular-afetivo de Ivan Lins, que deu cores de despedida à cena.

(E aí o moleque-capoeira, naquela hora, já se escangalhava à beça em gargalhadas).

Marcelo Adnet, enfim, é a prova definitiva de que o humor brasileiro - tão desgastado, a mal da verdade - ainda pode se salvar.

O IBH, pelo menos, o aprova. Com louvor. E humor.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Destaques do ano

Foram poucos votos. O que tornou a eleição fácil de computar. Mas prevaleceu a democracia. Alguns nomes sugeridos se confirmaram, enquanto outros apareceram de surpresa. E fica assim nossa escolha dos destaques do ano.


Personalidade política do ano

Marcelo Freixo

Reeleito deputado estadual, Freixo não teve votos em nossa eleição, mas teve tantos em outubro, que mereceu levar o título.


Esportista do ano



Sebastián El Loco Abreu

O centroavante do Botafogo não fazia parte da lista de indicados. Mas como as regras previam nomes sugeridos pelos próprios leitores, ele deu uma cavadinha e conquistou um lugar entre os destaques.


Filme do ano

Tropa de Elite 2

Essa categoria não mobilizou os leitores. Mas mobilizou tantos espectadores, que não faria sentido ignorar o filme brasileiro mais visto da história.


Gostosa do ano

Juju



Juju foi eleita pela VIP a Mulher Mais Sexy do Mundo e abriu uma discussão sobre até que ponto a masculinização das mulheres é uma tendência passageira ou algo que veio para ficar. Discussões à parte, Juju leva mais um importante título esse ano.


Galã do ano

Felipe Bezerra

Recém-formado jornalista, Bezerra é, como diria o endividado Silvio Santos, coisa nossa. Um fofo.


Mocinha ousada do ano

Nenhuma mereceu votos.


Blogueiro do ano

Carlos Andreazza

Polêmico, popular, culto e apaixonado por samba, Carlos Andreazza atropelou Paulo Henrique Amorim por uma qualidade: é um escritor que sabe escrever.


Show do ano

Paul McCartney



Essa categoria não teve votos. Nem mesmo a ironia de misturar um gênio com a Maria Gadú rendeu alguma repercussão. Sobrou para o blogueiro aqui, que cravou o nome do ex-Beatle.


Hors Concours



O show da bateria do Império Serrano

A bateria do Império Serrano é sempre um show. E posso dizer com orgulho: já puxei dois sambas de bloco acompanhado por ela. Uma honra que, sinceramente, não mereço.


Personalidade do ano

Olga Belém

Para não ser injusto com outros leitores participantes, não quis criar nenhuma categoria em que algum deles pudesse ser eleito. A culpa é do Carlos.


Chato do ano

Julian Assange

Esse blogueiro não acha o site desse rapaz essa revolução toda. Mas os leitores se manifestaram e, democraticamente, dei a ele esse título.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Berlusconi e Flaubert

Taí, Olga, o lero que o botafoguense Ivan Lessa bateu com o único botão de sua camisa, publicado na última sexta (17), no site da BBC Brasil. Divirta-se:

"Eu estava comentando com meu botão os recentes movimentos de protestos aqui no Reino Unido, principalmente em Londres, e os de terça-feira na Itália, com seu foco principal em Roma.

- O que é a vida - disse eu para meu botão.

- É isso aí, companheiro - obtemperou ele, pois o que não me abandonou, coitado, é de “obtemperar” e não “responder”.

Neste ponto, vejo-me obrigado a fazer uma pequena pausa para explicar o porquê de meu diálogo com um único botão e não os habituais, conforme se diz, “meus botões”.

É que os outros dois se mandaram. Acham meu papo uma chatice. No que concordam muitos de meus amigos e até mesmo alguns inimigos. Eu mesmo, às vezes, não me aguento. Dá-me uma bruta vontade de baixar o cacete em mim mesmo.

No que chego onde queria chegar e onde estava no meu diálogo com meu botão (chamo-o de “major”, pois sou dado a ironias). Cair de pau.

- Veja você, Major - prossegui em meu solilóquio no banco do metrô. - Diferença cultural é isso aí. Por isso que nunca fiz fé na tal de unificação europeia com seus euros e sua burocracia desenfreada. É nisso que dá.

Aqui no Reino Unido, foi só aumentarem o custo dos ensinos universitários para a garotada ir às ruas e manifestar em peso seu desagrado. Sim, é verdade. Desnecessário me lembrar.

Alguns eternos descontentes, mais chegados a uma balbúrdia, exageraram e partiram para a grossura. Uns anarquistas, cá entre nós dois.

Se a polícia entrou num ou noutro com mais feeling, e se para contê-los adotou uma prática controvertida, a chamada “kettling”, ou seja, “chaleirar”, no sentido de como, numa chaleira, é contida a pressão, bons motivos não faltaram.

Basta ver o que nos mostrou a televisão e o inquérito que prossegue.

O inquérito, depois do peixe com fritas e a balbúrdia em jogo de futebol, é a terceira maior instituição britânica.

Mas divago, para variar. Permita-me, já que os aeroportos estão abertos, dar uma chegadinha à Itália, mais precisamente Roma…

- Tudo bem. O senhor é que manda - obtemperou de novo meu botão, conformado.

- … onde na terça-feira, dia 14, o primeiro-ministro Sílvio Mascarpone, digo, Berlusconi…

- Há, há, há - essa foi boa.

- … obteve uma maioria de votos no Parlamento, podendo assim, mediante a diferença de uns míseros 3 votos, no Congresso, continuar no Poder.

O que se viu então foi praticamente inédito.

Os italianos, acostumados à já lendária capacidade de sobrevivência de Berlusconi, com seus ridículos e patifarias - e estou citando fontes fidedignas -, deixaram de lado por uma vez na vida seu cinismo e o espírito de “deixa para lá” e foram às ruas criar caso para valer.

Botaram para quebrar. E como quebraram! Vitrinas e caras. Tacaram fogo em carro. Apedrejaram seus semelhantes fardados de policiais. Mandaram brasa.

Como resposta, não houve tentativa de “kettling”, de contenção. Foi pau puro. Gás lacrimogêneo, mangueira d´água, cacetada na cabeça ou onde desse pé e mão (pé e mão direita, se possível). Não teve por onde.

Comigo é panino, panino, gorgonzola, gorgonzola, para adaptar um bordão popular nosso. Quer saber de uma coisa, Major?

- Não faço questão. Mas sei que vou acabar sabendo. Manda.

- É preciso parar de “chaleirar” estudante britânico. “Chaleirar”, em seu sentido original, o de “bajular”, conforme nossos bons dicionários.

O negócio é mais embaixo, em cima e dos lados. Para eles se darem conta da sorte de não terem de aturar um Berlusconi.

Vale a pena estudar pagando um pouco mais, ou mesmo muito mais, do que ter que aguentar Berlusconi mesmo que apenas em página de jornal ou programa de TV, ambos aliás de sua propriedade. Que você acha, Major?

- Eu acho que nós deveríamos parar de frescura e reler Madame Bovary, de Flaubert. Afinal acaba de ser lançada a 20ª. tradução em inglês dessa legítima obra-prima.

- Major.

- Diga.

- Te fecha, tá?"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Percival Bezerra

A partir de hoje, não me chamo mais Bezerra. Ou Felipe Bezerra. Ou, ainda, Felipe Américo Bezerra, conforme consta em minha certidão de nascimento, com todas as letras - em torno de 20, não tenho certeza - em caixa alta.

Decidi que me chamarei Percival Bezerra.

- Mas por quê, Bezerra? - me pergunta meu botão, o único que ficou em minha camisa. (Depois de minha decisão, os outros botões se mandaram, numa analogia tosca à fuga dos dois botões da camisa de Ivan Lessa, relatada em uma de suas recentes crônicas).

- É o seguinte, botão: depois de conhecer o jornalista Percival de Souza, recentemente, meus longos anos de dedicação à leitura de Aldir Blanc, Ivan Lessa e Millôr, meus nortes jornalísticos, caíram por terra. Definitivamente! - inicio meu argumento de defesa com meu botão (numa também analogia tosca, como se vê, ao papo que o Lessa bateu com seu botão).

- Sabe, botão? Desisti de ser, como o amigo Foca se refere a mim, o pasquineiro dos dias atuais. Me cansei da arte da ironia e do deboche. Já não curto mais escrever trocadilhos e frases ambíguas, entende? Perdi o tesão. Agora, botão, eu quero ser um jornalista totalmente óbvio. Bem mais, inclusive, do que o Obvianildo, que não sobrevive de jornalismo, mas sempre foi, até então, meu exemplo maior de obviedade.

- E o Percival de Souza é tão óbvio assim, Bezerra? Foi mal. Percival Bezerra, como você prefere, né? - me pergunta de novo meu botão, ainda incrédulo.

- Obviamente, botão, e de maneira óbvia, é óbvio que sim. Já assistiu ao Percival de Souza, no ‘Record Notícias’, comentando as matérias? Se um traficante é morto com dez tiros de fuzil, durante um confronto com a polícia, Percival comenta que o sujeito morreu com dez tiros de fuzil. Se um acidente numa rodovia de São Paulo paralisa o trânsito por quatro horas, ele diz que os veículos vão ficar congestionados por quatro horas. Não é sensacional, botão?

- Tem razão, Percival Bezerra!

- É isso, botão! Eu sou Percival Bezerra, o jornalista mais óbvio da blogosfera. Daqui em diante, só vou postar comentários óbvios. Sobre todo e qualquer tipo de notícia, obviamente. Aliás, botão, eu até aproveito a deixa pra comentar sobre o resultado de uma pesquisa do Datafolha. Segundo levantamento divulgado nesta semana, o presidente Lula vai deixar o governo com 83% de popularidade. E o que tenho a comentar, botão? Ora, o presidente Lula atingiu 83% de aceitação popular. Isso significa que 83% dos cidadãos brasileiros aprovam o governo lulista.

- Grande Percival Bezerra! Formidável! Continue...

- Não tem o Julian Assange, que fundou o site WikiLeaks?

- Sei...

- Então... Em uma entrevista ao jornal espanhol ‘El País’, ele revelou que tem recebido muitas ameaças de morte. A maioria, segundo ele, parece vir de membros das Forças Armadas dos Estados Unidos. E aí, botão, eu diria que o Assange tem sofrido muitas ameaças de morte. Feitas, ao que tudo indica, por militares norte-americanos.

- Bravo, Percival Bezerra! Não tenho dúvidas de que você tem tudo pra ser o jornalista mais óbvio da blogosfera!

- Vamos com calma, botão. Vai que o Percival de Souza também tem um blog...

Escolha os melhores

O ano está acabando e chegou a hora dos leitores escolherem os melhores do ano. O blogueiro aqui fez uma pequena seleção, mas como esse ambiente é ainda mais democrático, vocês podem fugir e escolher quem quiserem:


Personalidade política do ano

Lula

Marcelo Freixo

José Serra


Esportista do ano

David Villa

Dario Conca

Cesar Cielo


Filme do ano

Tropa de Elite 2

A rede social

Onde vivem os monstros


Gostosa do ano

Beyoncé

Katy Perry

Juju


Galã do ano

Iker Casillas

Brad Pitt

Felipe Bezerra


Mocinha ousada do ano

Larissa Riquelme

Nicole Bahls

Nana Gouvea


Blogueiro do ano

Kibeloco

Paulo Henrique Amorim

Carlos Andreazza


Show do ano

Paul McCartney

O show da bateria do Império Serrano

Maria Gadu


Personalidade do ano

O criador do Facebook

Polvo Paul

Wagner Moura


Chato do ano

Merval Pereira

Andres Sanchez

Paulo Barros

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Interlúdio psicovirtual

(ou... ou... xapralá!, que tá quente à beça!)

As más línguas dizem que me formei em Jornalismo na São Camilo, ontem à noite, durante uma suposta cerimônia de colação de grau. Não me lembro. Só consigo me lembrar mesmo do calor tipicamente cachoeirense, o qual enfrentei - horas a fio! - sob uma looonga beca preta. De resto, nada me vem à mente.

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Antes do início da suposta formatura, segundo - claro - as tais más línguas...

Bezerra: "Sei não, Fábio, mas desconfio que, quem inventou a beca, não era de Cachoeiro".

Prof. Fábio Brito: "E jamais a usou".

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Você é o culpado, Toninho! (final)

O professor Fábio nos sugere que, na segunda etapa do memorial, façamos um apanhado geral (como explicaria a coordenadora Adriane Fin, gesticulando uma de suas mãos para si própria) das disciplinas estudadas ao longo do curso, ressaltando os conteúdos que, de alguma forma, “abriram as portas da percepção”.

Levando em conta que eu já excedi o número de páginas estipulado (não confundam ‘estipulado’ com ‘determinado’) pelo professor - em torno de três laudas -, devo ser o mais conciso e breve possível, o que fará, no entanto, com que este meu exercício memorialístico perca, e muito, em riqueza de detalhes, uma das características de meu estilo textual (influenciado - admito - pelos amigos cariocas Carlos Andreazza e Eduardo Goldenberg, mestres da vírgula).

Tenho certeza de que, ao deixar de citar nomes, cometerei injustiças, mas preciso reconhecer a importância das aulas de Texto Jornalístico em TV (da professora Raquel Marques) e de Produção e Edição em Rádiojornalismo (do Rômulo Gonçalves), que talvez não tenham aberto as tais portas da percepção, mas tiveram uma função não menos essencial para a minha formação acadêmica, sobretudo jornalística: aprendi a enxugar palavras.

Eu, prolixo confesso, que sempre prezei por parágrafos mais densos, com firulas aqui e acolá, cortei um dobrado pra aprender a sintetizar notícias em frases curtas e secas. Meus boletins informativos, logo nas primeiras aulas, sofreram à beça com as observações (leia-se o grifo: canetadas a torto e a direito, sem dó nem piedade) dos dois professores.

Se doeu? Com certeza. Mas só a dor - como nos ensinaria a sorte do dia do orkut, nosso indispensável oráculo virtualesco - é capaz de nos elevar à plenitude da sabedoria (oooooh!).

E o que ficou de legado dessas duas disciplinas, Bezerra? Bem, eu diria, de maneira bem objetiva (com o mínimo de caracteres, claro, para não decepcionar as expectativas de Rômulo; tampouco para não esgotar com a paciência de Raquel), que trabalharia em qualquer redação radialística ou de telejornal sem problema algum (não rola uma vaga aí na Gazeta Sul, não?).

Eu tiraria de letra, literalmente.

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TCC! TCC! TCC!

Ahhhhh, TCC...

Trabalho de Conclusão de Curso, com as letras inicias de cada uma das palavras em caixa alta, possivelmente para causar mais temor e pânico em todos os universitários. Nerds, descolados, preguiçosos, pouco importa. E não há fuga, meu camarada: cedo ou tarde, o TCC ainda vai te pegar.

Como também me pegou, é evidente.

Mas eu tentei encará-lo da melhor forma possível.

Faço uma confissão, antes de mais nada: meu tema já estava definido desde o meu primeiro período. Aldir Blanc. Eu queria ter feito um estudo sobre as crônicas do bardo da Muda.

Seria uma pesquisa sobremaneira prazerosa (com direito a orgasmos, delírios, delíquios e delúbios). Cheguei a selecionar seis textos do Aldir (em que ele sentava o cacete no Marcos Valério, no Bob Jeff, no Zé Dirceu e em outros mensalômanos), todos publicados no Caderno B, do finado JB, entre julho e outubro de 2005, para analisá-los.

Não me esqueço do bravo Marco Aurélio Borges, que, de cara, mostrou-se empolgado com a minha idéia. Em suas aulas, inclusive, o professor Borges fazia questão de citar meu tema, sempre quando havia oportunidade.

Mas minha proposta, infelizmente, foi barrada pela tal da ementa, que delimitou, no início do sétimo período, os temas dos trabalhos.

Quase aos quarenta do segundo tempo, portanto, precisei abri mão do meu projeto.

Fiquei à deriva, até ser salvo pelas amigas Angélica e Katherine.

Resumo da ópera (que, desta vez, não foi bufa): fizemos - Angélica, Kathy e eu - um trabalho sobre a evolução do jornalismo digital de Cachoeiro de Itapemirim. Um trabalho que deu muuuuuito trabalho, em todos os sentidos deste trocadilho infame.

Vale dizer que o processo de desenvolvimento da pesquisa, nos seus bastidores, ultrapassou os limites acadêmicos (para o bem e para o mal, Fábio), atingindo a questões pessoais que feriram não só suscetibilidades, mas também, e principalmente, relações de amizades, até então francas e inabaláveis, eu acreditava.

Enfim...

Numa alusão sobrecarregada de pieguices, eu diria que, se nós três choramos ou se sorrimos (perdão, Roberto!), o importante é que erramos e acertamos na mesma medida, o que comprovou o quão humanos somos, vulneráveis às falhas, ao aprendizado e, sobretudo, à superação de nossas miudezas.

(“E digo mais: se eu tivesse a oportunidade de fazer, em conjunto, um possível segundo TCC, eu não hesitaria em escolher - mais uma vez - você e a Kathy”, revelei à Angélica, por e-mail).

Só uma ressalva, Angélica e Kathy: caso a gente volte a produzir um trabalho final, eu sugiro como objeto de estudo as crônicas do Aldir Blanc. Na boa, pô!

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Sem concluir porra nenhuma, chego ao fim deste memorial com uma única pergunta: Toninho, por que você foi me jogar nessa furada, hein?!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Você é o culpado, Toninho! (II)

Antes de devolver os textos à turma, após corrigi-los, Cleide chamou a atenção para um relato que, de acordo com seu julgamento, foi escrito de maneira especial e brilhante.

A professora explicou que o autor do texto - cujo nome não quis revelar - surpreendeu suas expectativas, embora sempre acreditasse no potencial e na inteligência do aluno, uma vez que seu rendimento mediano, no decorrer dos bimestres, devia-se tão somente à sua preguiça.

Feitas as devidas considerações, Cleide começou a lê-lo, em voz alta, para toda a sala. Aí, meu camarada, qual foi minha surpresa, hein, ao ouvir as frases iniciais?! Era o meu relato. O silêncio e a perplexidade no olhar dos alunos - ainda me lembro bem - sublinharam a narração do texto.

No término da leitura, um fato impressionante: todos (!) os alunos olharam para mim, com a prévia (mas definitiva) certeza de minha autoria, revelada, logo em seguida, pela professora. Aquela silenciosa perplexidade, sem dúvidas, foi minha melhor recompensa.

Só sei que, depois desse episódio, jamais imaginei que a escrita fosse entrar novamente em minha vida. Sem pedir passagem, aliás, ao contrário do samba.

No início de maio de 2005, pouco mais de dois meses após aquela noite de março, assisti à uma matéria, no Jornal Nacional, em que aposentados de algumas regiões do Brasil, numa infeliz coincidência, morreram em filas de hospitais, à espera de atendimento.

A notícia me levou à uma folha em branco, onde, por meio de uma crônica tortamente influenciada por um discurso jaboriano, pude manifestar, além de solidariedade aos familiares dos idosos falecidos, revolta com a saúde púbica.

Com o título “De quem é a culpa?”, o texto - em vão - estava à procura de possíveis culpados por aquela displicência generalizada. Conformado, por fim, não lhe restou outra saída senão acusar o destino.

No dia seguinte, no meu trabalho, fui à sala de meu chefe:

- Toninho, lembra daquela vez em que tu pediu pra gente escrever um texto sobre qualquer assunto interessante? E que, se ficasse legal, tu tentaria uma publicação lá no Diário? Então... Dá uma lida aí no que escrevi... - falei com ele, antes de entregar minha crônica.

Pontuada por nítidas interjeições de entusiasmo em seu olhar, sua leitura já se mostrava - antes de tudo - grata com o resultado daquela proposta feita porres atrás.

- Bezerrão, tua crônica ficou boa pra cacete, hein? Claro: só precisa acertar uma ou outra vírgula. Mas, de qualquer forma, gostei mesmo do texto. Me faz um favor, então: salve a crônica num disquete, ainda hoje, que eu vou mandá-la pra redação do Diário, ok? - disse Toninho.

Pronto: foi a partir daquele momento, com a publicação de minha croniqueta no Diário Capixaba, que a vida se cumpriu a traçar - de vez - minhas primeiras linhas pelas páginas jornalísticas, sequer cogitadas, até à época, pela mais remota e improvável de minhas hipóteses.

Orientado por meu mentor intelecto-boêmio (com o perdão da redundância, professor), então, passei a rascunhar inúmeros parágrafos. Muitos destinados à lixeira, claro. Enquanto outros, talvez nem tão desprezíveis assim, foram lapidados pelas correções de Toninho.

Bem, pouco depois, ainda naquele mesmo ano, meus rascunhos voltariam a ocupar as páginas do Diário, mas, desta vez, diagramados na coluna “Olhar cotidiano”, assinada por mim, que foi publicada - sempre às quintas - de julho a novembro de 2005.

Os temas de minhas crônicas - que nunca sofreram restrição alguma da redação - variavam de acordo com meu estado de humor ou, às vezes, de amor.

(Dedicada à festa oficial de Muqui, um dos municípios vizinhos de Atílio Vivácqua e de Cachoeiro de Itapemirim, minha primeira publicação causou descontentamento e ira em muquienses - ou muquiranas, como chamei, de maneira carinhosa, na coluna - que, segundo amigos da cidade, queriam me linchar).

Enfim, eu diria que o Toninho Miranda foi, de fato, meu primeiro professor de jornalismo. Foi ele quem me apresentou ao Caderno B (do falecido JB), editado - na ocasião - pelo Ziraldo, que se esmerava em fazer do suplemento um revival das antológicas edições do Pasquim.

Lá estavam, por exemplo, as entrevistas publicadas aos domingos, que traziam a informalidade coloquial (opa, deslizei de novo na redundância, Fábio) nos diálogos, repletos de nés? e outros vícios de linguagem tão caros e fundamentais à linguagem brasileira.

Também figuravam, pelas páginas do caderno pós-pasquiniano, alguns dos nomes já conhecidos dos leitores mais antigos do hebdomadário de Ipanema: Aldir Blanc, cuja escrita política e tijucanamente incorreta fez de mim um de seus mais indecentes fãs; Nataniel Jebão (e Fausto Wolff, respectivamente, seu alter ego); Reynaldo Jardim, o guerrilheiro da poesia...

A verdade é que, além do meu bom e velho Miranda, o Caderno B de outrora, capitaneado pelo criador de Menino Maluquinho (síntese gráfico-artístico-afetiva de uma infância hoje sucumbida), exerceu fortes influências em mim, definindo, assim, meu norte jornalístico e intervindo em minha decisão de cursar a faculdade de Comunicação Social.

(continua)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Você é o culpado, Toninho! (I)

Preciso revisitar minha memória. O motivo? Bem, para um trabalho de faculdade, do professor Fábio Brito, o finesse da ironia, para usar um adjetivo à altura de sua elegância - e sarcasmo, claro - habitual.

Fábio nos pede um memorial, que, segundo ele, “é o resultado de uma narrativa da própria experiência retomada, considerando-se fatos significativos que nos vêm à lembrança”.

Então, tá.

Se me permite, professor, volto à uma noite perdida de 2005. Mês de março, eu acho.

Tô na mesa de um buteco daqui de Marapé (ou Atílio Vivácqua, para os menos afeitos a intimidades), acompanhado de meus camaradas de expediente, Samuel e Marvila, e de Toninho Miranda, nosso chefe (que sempre foi mais camarada do que chefe, bem dizendo).

Na rodada, uma cerveja meio morna, uma porção sem-vergonha de fritas e uma ponta de angústia em Toninho, acentuada pelo tom de preocupação em sua voz:

- Porra, tô sem assunto pra escrever minha crônica de sábado... - confessa.

(Além de exercer a profissão de burocrata - coleciona, em boa parte dos gabinetes públicos pelos quais passou, afetos e desafetos na mesma proporção de sua grande vocação para o polemismo - e de advogado, quando necessário, Toninho também é jornalista veterano, figurão conhecido dos periódicos cachoeirenses. Mal pago, como faz questão de citar em suas crônicas, escreve semanalmente para o jornal Diário Capixaba - hoje extinto -, do Sérgio Neves).

- Não querem escrever no meu lugar, não? - brinca.

E completa:

- Aliás, vamos combinar o seguinte: se algum de vocês tiver um assunto qualquer em mente, escreva um texto. Se ficar bacana, prometo, tento publicar lá no Diário, na seção do leitor.

- Pode ser, cara. Vou ver faço alguma coisa... - respondo, convicto (bêbado, vá) a encarar a parada.

Retorno a 2010, neste ensolarado domingo de novembro (ao som de uns grooves antigos de Earth, Wind & Fire), ainda refletindo sobre esse longínquo bate-papo de bar, que, numa certa alusão etílico-semântica, foi um divisor de chopes em minha vida.

Explico: até aquela noite, só me recordava de ter escrito, se tanto, um único texto digno de boas críticas. Foi em 2001, quando eu cursava o último ano do ensino médio, no estadual Fernando de Abreu, aqui mesmo em Marapé.

Véspera de férias, todos já na expectativa para o verão (que, para muitos, estava logo ali, ó, depois da Safra, em Marataízes).

Minha professora de gramática, Cleide, pede aos alunos que escrevam um texto livre, relatando toda a experiência - boa ou má, pouco importava - obtida e vivida durante todo aquele ano letivo (seria uma espécie de memorial de nível médio, Fábio?).

Na contramão da unanimidade coletiva previsível (não é mesmo, Rodrigues?), cujos parágrafos seriam escritos sob clichês e outros lugares-comuns não menos pedantes (“Ah, professora, estudar com meus amigos foi maravilhoso!”, vomitariam alguns em suas folhas pautadas), decidi esculhambar, dentre uns ou outros professores e colegas, meus desafetos, sem citar nomes, é evidente, e sem me privar de expor meus ressentimentos, sobretudo.

(continua)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um aviso, leitor!

Chego, enfim, à semana de minha formatura no curso de Jornalismo (ou Comunicação Social, vá, como preferem os catedráticos mais exigentes), que acontece na próxima quinta (16).

E a ocasião - como a querida Olga já sabe - tem feito de mim um sujeito feliz e angustiado, o que pode ser - repito - um bom sinal.

Bem, crises existenciais (e outras viadagens, claro) à parte, quero apenas avisar que, no decorrer desta semana, publicarei, neste blog, um texto que escrevi - a início - para anexá-lo ao meu trabalho de conclusão de curso. Trata-se de um memorial, de acordo com o professor Fábio Brito, que foi quem aplicou e avaliou a atividade.

Nele, como o próprio nome já sugere, relembrei trechos importantes de minha trajetória acadêmica (e extraclasse, sobretudo), desde o momento em que optei pela profissão de jornalista - que surgiu numa mesa de buteco, me orgulho em ressaltar - até a rotina (árdua!) das últimas semanas de estudo.

Contudo, por questões de limitação de espaço (embora eu tenha escrito seis páginas, o dobro do número de laudas estipulado pelo professor Fábio), cometi a injustiça de omitir episódios e personagens tão quanto essenciais. Os amigos-irmãos Foca e João Paulo Duarte, por exemplo, que jamais deveriam ficar de fora, não puderam ser mencionados. Ao contrário do Andreazza, cujo nome - a certa altura do texto - começa a pintar no pedaço.

Quanto à forma de publicação do memorial, decidi postá-lo em doses homeopáticas, para não tornar pedante a leitura.

É isso.

Até logo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pela mudança de horário nas transmissões de futebol

Está sendo estudada pelos clubes uma proposta de transmissão do Campeonato Brasileiro pela Record. Além do caminhão de dinheiro que acompanha qualquer proposta da emissora, disposta a enfrentar o poderio da TV Globo, surgiu um fato novo interessante: a possibilidade de mudança no horário dos jogos noturnos.

Como todos sabem, no Brasil, os campeonatos de futebol obedecem à grade da líder de audiência, que impõe aos torcedores um horário esdrúxulo.

Sendo obrigados a iniciar após a novela, os jogos começam por volta de dez da noite, terminando sempre lá pela meia-noite. Em finais, com prorrogação e pênaltis, antes de uma da manhã o torcedor ainda não desligou a TV. O que está no estádio, então, não chega em casa antes das três.

O horário de 20h45 que está na proposta da Record me parece absolutamente razoável. Nessa hora, o torcedor que cumpre um expediente comum já teve tempo de chegar em casa, tomar um banho e jantar. E, ao fim do jogo, pode dormir antes das 23h.

Não se trata de discutir aqui o poderio da Globo, sua hegemonia ou benefícios e malefícios que ela trouxe ao país. Apenas defender o que ela sempre defendeu: o capitalismo, com concorrência, com todas as vantagens que ela traz ao consumidor.

A escolha está na mão dos clubes, o que torna tudo preocupante. Mas um movimento do público faria muito bem a esse processo. Mesmo que a transmissão não troque de mão, que, pelo menos, a emissora líder sinta que precisa repensar o que impõe aos telespectadores.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Interlúdio psicovirtual

(ou apenas uma breve inquietação de um universitário finalista)

A poucos dias da minha formatura na faculdade, não saberia dizer - hoje - se, diante de todo o caminho percorrido (desde a decisão pela profissão de jornalista, tomada por mim há cinco anos, até as madrugadas insones e etílicas destas últimas semanas), estou feliz ou angustiado (ou triste, pra dizer a verdade). Francamente, não sei, o que pode ser um bom sinal, suponho.

PS: Minhas mais recentes postagens - eu reconheço - estão chatas, o que também pode ser um bom sinal, quem sabe? 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Tropa de elite 2" é o filme mais visto da história do cinema brasileiro


Texto original do Globo.com

"Tropa de elite 2", de José Padilha, tornou-se o filme mais visto da história do cinema brasileiro, com um total de 10.736.995 espectadores acumulado após nove semanas de exibição. A informação foi divulgada pela assessoria do filme nesta quarta-feira (8) e confirmada pelo instituto Filme B.

O longa ultrapassou o antigo campeão, "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), em 1.470 ingressos vendidos. "Dona Flor" foi visto por 10.735.525 de pessoas.

Em cartaz desde agosto deste ano, "Tropa 2" se mantém nos cinemas com 331 cópias.
Segundo Marco Aurélio Marcondes, responsável pela distribuição, os números de exibição dos últimos dias ainda não estão completos e vão aumentar. “Estamos muito felizes. Nas últimas semanas liberamos mais cópias para cidades do interior, como Cruzeiro do Sul, no Acre, e Machado, em Minas Gerais”, explica.

Em novembro, o filme de Padilha atingiu a marca dos 10 milhões de espectadores e sagrou-se o mais visto de 2010 no Brasil, entre longas nacionais e internacionais.

Continuação do longa de 2007, premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim, "Tropa de elite 2" mostra seu protagonista, o policial do Bope Nascimento (Wagner Moura), combatendo novos inimigos: políticos corruptos e as milícias que agem nas favelas cariocas.

A segunda parte do longa dá um salto de 15 anos em relação à trama original e traz o ex-capitão do Bope, promovido a subsecretário da Segurança Pública, também em confronto com um ativista dos direitos humanos, vivido por Irandhir Santos.

"Tropa 2" foi lançado sob forte esquema antipirataria, que incluiu instruções do Bope segundo o diretor José Padilha. Além de não ter produzido cópias digitais, somente película, a sessão première no Teatro Municipal de Paulínia, no interior paulista, incluía revista em bolsas com apreensão de câmeras e celulares de convidados, além e portas com detectores de metais na sala de exibição.

Segundo o diretor, tanta precaução se referia ao "trauma" sofrido em 2007, quando o filme foi pirateado e se tornado fenômeno nos camelôs. Estima-se que 11 milhões de pessoas tenham assistido a um DVD pirata do filme antes de sua estreia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fluminense eterno


Por Gustavo Simi

Há certos clubes que nasceram com o dom da eternidade e, certamente, o Fluminense é um desses. Nenhum dos chamados grandes do futebol brasileiro passou pelo sofrimento do tricolor e somente os seus torcedores podem saber a dor de um rebaixamento para a Terceira Divisão - mas somente esses guerreiros sabem a batalha que foi ressurgir, no campo, com valentia e competitividade: um processo longo, que passou por semifinais frustrantes de Brasileirão (2001-2002), boas campanhas sem título (2005-2007), uma humilde Copa do Brasil conquistada em 2007, vice na Libertadores do ano seguinte, uma fuga espetacular de um outro rebaixamento em 2009 com outra derrota em final para LDU, para, enfim, se ver diante da máxima consagração neste inesquecível cinco de dezembro de 2010.

Quem viveu tudo isso é quem mais tem razões pra comemorar o Fluminense Campeão Brasileiro de 2010. Um time que mereceu o título desde o começo do campeonato, por todos os motivos possíveis: do goleiro ao centroavante, do roupeiro ao treinador, do torcedor mais humilde ao presidente controverso - que, mesmo com todas as merecidas críticas que ouve constantemente, pode se tornar um dos mandatários mais vitoriosos da história do clube.

Mas certamente não é personagem principal desta saga, que começou há muito tempo e tem seus protagonistas mais diversos, dos quais escolho quatro principais. Falemos então de Conca, Legião Tricolor, Muricy Ramalho e Mariano: o Fluminense que renasceu das cinzas, o Fluminense que é novamente um dos maiores clubes do mundo, o Fluminense tão amado.

Conca é o maior símbolo do time. O ídolo. Não admite propagandas porque não precisa. Não se preocupa com o estrelato, pois ele é sua essência. Não quer saber de ficar fora, ele jogou todas as 38 rodadas - para jogador de linha, um recorde dos pontos corridos.

Não anseia pela Europa, sua seleção é o Fluminense. Não é um líder, mas lidera. Um jogador diferenciado e ao mesmo tempo humilde. Um craque fenomenal, uma criança feliz, que joga bola como se estivesse no recreio da escola, com a camisa lhe cobrindo o corpo todo, argentino mais amado do Brasil.

Um astro que, entre guerreiros, é só mais um, divinamente humano, percorrendo os campos com habilidosa canhotinha de mais de vinte assistências, de nove gols, jogadas raras, um grude com a redonda e uma espantosa habilidade de fazer dela seu brinquedo predileto.

Abençoado pelo gringo Romerito, autor do gol de 84, o baixinho não tirou o manto tricolor em nenhum momento da comemoração - ama muito o Fluminense.

Outro que certamente merece homenagem é Muricy Ramalho. Um trabalhador sensacional. Um vencedor. Alguém que cresceu na profissão por mérito próprio, por lealdade, por princípio, por honestidade: recusou dirigir a Seleção Brasileira por honradez ao seu clube e à sua torcida, a quem presenteia, meses depois, com um título histórico: seus valores são raros, seu talento idem. Um homem predestinado a construir grandes feitos, um verdadeiro realizador.

Por onde passa, é garantia de sucesso, vitória, conquistas e, acima de tudo, respeito. Um cidadão exemplar, um ser humano digno, um vencedor nato. Alguém que parece disposto a, como disse ontem, "mudar a história desse clube". Um homem que cada vez mais se afeiçoa ao tricolismo de Telê Santana, seu mestre - cena emblemática de seu conto de fadas com o Tricampeão Fluminense foi, após o apito final do árbitro, seu efusivo beijo no escudo do uniforme diante da enlouquecida massa tricolor que vibrava o título no Engenhão.

Identificado, competente e guerreiro como todo o time, Muricy é a raiz dessa árvore vitoriosa cujo fruto foi degustado em pleno estádio do Botafogo, que nunca havia recebido festa como a deste domingo.

Uma festa na voz da Legião Tricolor, outra responsável por essa reviravolta que culminou no título - afinal, se outros clubes têm mais torcida, nossa torcida tem mais gente!

Um movimento desorganizado de torcedores organizados, uma torcida sem faixa nem exaltação a si própria, responsável por maravilhosos mosaicos, cânticos brilhantes, homenagens inesquecíveis, uma vanguarda que ama intensamente o clube.

Desde alguns anos, são pessoas que vão a todos os jogos do Fluminense incentivar o time o tempo todo. São fanáticos que buscaram os jogadores no aeroporto com uma euforia incompatível pra quem sofrera uma goleada na final.

Apaixonados que abraçaram a causa do anti-rebaixamento no ano passado, e tiveram um êxito invejável.

Alucinados que cantam, pulam e amam o Fluminense o tempo todo, uma torcida que, senão das maiores entre os clubes gigantes, é certamente a melhor de todas elas. Uma torcida que dificilmente vaia - é sempre positiva.

Mas já vaiou muito o Mariano, outro personagem dessa conquista, trágico nos momentos desesperados do ano passado, fundamental na reabilitação milagrosa.

De contestado a convocado, de renegado a peça-chave: de segunda divisão a um dos melhores do país, como o seu próprio clube fez. É um símbolo de que é possível dar a volta por cima sempre.

A fênix tricolor que inferniza pela ponta direita, ensaboado feito um moleque de várzea que corre desesperado por seus companheiros de time, se dedica como poucos. Um gigante. Um guerreiro.

Nelson Rodrigues certa vez disse que se o Flu fosse campeão no céu, ele morreria para vê-lo jogar. Ontem, lá das nuvens, ele abençoou o Time de Guerreiros que devolveu o Fluminense, definitivamente, ao seu lugar mais merecido: de melhor clube do Brasil.

Um time acostumado a ser amado, mesmo prestes à bancarrota, beijando a falência, namorando com seu próprio enterro: quem viveu três rebaixamentos e comemorou ontem, sabe da grandeza de ser Fluminense. A queda e a conquista épica são o diploma de eternidade tricolor.

Afinal de contas, outros podem até passar - o Fluminense, jamais passará.

Fluminense tricampeão brasileiro

Esse blog ainda aguarda um texto especial de um ilustre tricolor, mas para não ficar em branco, enquanto isso, segue uma pequena homenagem ao tricampeão.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bactéria

Estou a duas semanas de minha formatura. Minha mente e minha emoção, nesta reta decisiva (para me valer de um jargão de um locutor de futebol qualquer), têm estabelecido diálogos efusivos e derradeiros.

Madrugada e fim de tarde são apenas divididas por linhas tênues de insônia e outras inquietações.

Além do vocativo "meu amor", que antecede todas as mensagens enviadas (via telefone celular) por minha possível futura garota, quem me deixa aliviado - neste falso conforto - é a cerveja nossa [minha] profana de cada noite.

No bar em que, ligeiramente bêbado, assisto ao noticiário de uma emissora paga, uma jornalista tece comentários a respeito da descoberta de uma nova bactéria, encontrada num lago da Califórnia, cujo nível de arsênio - elemento químico tóxico para a maioria dos seres vivos, segundo cientistas - é extremamente elevado.

Tenho medo de que meu futuro jornalístico se resulte em comentar sobre descobertas de bactérias...        

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia do samba

Para comemorar o Dia do Samba, roubei (sim, roubei mesmo) essa foto do grande e ansioso tricolor Marcelo Moutinho.

Essa capa traz boas lembranças em todos os sentidos.

Em 1982, o Rio jogava o melhor futebol do Brasil (e, até prova em contrário, continua jogando), a seleção brasileira tinha craques e o Império Serrano conquistava o carnaval com samba no pé.

Não sou um sambista de fato. O tricolor Marcelo Moutinho e o rubro-negro Andreazza, esses sim são apaixonados, frequentam a quadra, ajudam a escola, desfilam, torcem, vibram e choram.

Mas adoro o carnaval. Mesmo sabendo que "virou Hollywood isso aí". E tenho uma relação de gratidão com o Império Serrano, que me acolheu em 2004, num desfile inesquecível, ao som de Silas de Oliveira.

Na notícia, pode reparar, o samba se sobressai. Não tem para os diretores de escolas rivais, inconformados com a derrota. Não tem para o carnavalesco Joãozinho Trinta, derrotado pela tradição do Império. Não tem para ninguém. É o samba em estado puro.

Nada melhor do que isso para celebrar, claro, o samba.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O poder nu

Noam Chomsky costuma dizer que, quando quer entender o poder, ele simplesmente lê o que o poder fala. Sim, da maneira mais simples possível. Lendo o Wall Street Journal e o New York Times ou vendo a Fox News, a CNN e a ABC.

Se nos desviarmos um pouco das leituras preguiçosas, não temos tanta dificuldade assim de entender o mundo. Todo mundo sabe o que os EUA querem no Oriente Médio, o que exigem os mercados na Irlanda e o que defende o ministro Nelson Jobim no Brasil.

Não sei a opinião do famoso linguista sobre os tais vazamentos de documentos oficiais na internet. Talvez ele ache uma novidade interessante. Mas não creio que ele se espante com o que está lá.

Eu, pelo menos, não me espantei com muita coisa. Os EUA consideram o governo do Brasil antiamericano? Ora, rejeitar a ALCA, negociar com o Irã e fazer acordos Sul-Sul já não são sinais suficientes de que o Brasil, no mínimo, quer diminuir a influência dos EUA em seus negócios?

Sobre as guerras em que se meteu Bush ou o despreparo político de Hilary Clinton, nenhuma novidade também.

Por isso, apesar de ainda estar entendendo esse fenômeno novo, legal ou não, de vazar informações oficiais, rio um pouco com quem divulga obviedades como se grande informações fossem.

Até porque documentos oficiais não são tão inacessíveis assim. O Diário Oficial, declarações de candidatos e outros dados não tão difíceis de acessar costumam ser reveladores. É só deixar a preguiça de lado.

Da mesma forma, nos EUA, pesquisando nas bibliotecas certas, o próprio Noam Chomsky costuma embasar suas teorias políticas.

Se há uma novidade nesses hits da internet ela está no fato de que o jornalismo, aquele sem preguiça de pesquisar, pensar, ir fundo na idéia e no texto, parece estar meio fora de moda.

Só isso explica o furor com que se divulga obviedades como se grandes revelações fossem.