2010 está chegando e estamos preparando algumas mudanças. Algumas serão a longo prazo, outras esperamos terminar em breve. Vejam algumas coisas que nos esperam no ano que vem.
Nova cara
Com a mesma cara desde fevereiro de 2008, o Primo Cruzado deve mudar. Já tomamos essa decisão em conjunto. Só o que precisamos agora é fechar o nome de um bom webdesigner e botar a mão na massa. A idéia, porém, é não perder a espontaneidade de blog, tanto na forma de atualizar - em tempo real - como nos posts. Em resumo: queremos um site bonito e moderno, mas livre, leve e solto, como um blog deve ser.
Mais leitores, mais textos
A idéia de abrir o blog para textos de leitores fez sucesso em 2009. Olga marcou presença por aqui, Amanda também e, lá dos EUA, Michel nos mandou um texto emocionante sobre Michael Jackson. Para nós, foi uma honra e queremos continuar. Em 2010, queremos que aqueles nomezinhos de colaboradores do lado da tela sejam mera formalidade. Na prática, a colaboração virá de todos os leitores, fazendo um blog vivo.
Mais jornalismo
Quatro jornalistas comandam esse blog. Apesar de ser um blog aberto para a gente fugir da rotina, queremos aproveitar essa formação. Para isso, no ano que vem, a idéia é investir em trabalhos mais jornalísticos, como coberturas e entrevistas. Com isso, nos esforçaremos para criar uma relação maior com grupos de jornalistas, como a Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, as associações de críticos musicais e cinematográficos, emissoras de televisão, rádio e por aí vai.
Cobertura da Copa e das eleições
Haverá uma cobertura especial dos grandes eventos. Porém, ao contrário de outros veículos, não destacaremos um colaborador em especial. Todos escreverão sobre os temas, inclusive os leitores. A única diferença é que, da Europa, Karluv nos trará uma visão especial.
Surpresas
Mais novidades. Aguardem.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Feliz Natal!
Que este Natal seja de paz, alegria, carinho e reflexão para todos nós. Felicidades a todos! São os votos de Foca, Lion, Bezerra e Karluv (a quem peço desculpas por não ter conseguido retratá-lo)Tudo de bom a todos!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Musa e muso de 2009
Vamos lá, galera, vamos votar na musa e no muso de 2009.Para não darmos vários votos diferentes, a gostosa e o gostoso serão votados como "musos". Além da foto, a idéia é publicar também um breve texto, retirado das justificativas dos votos.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Lincoln Gordon
O jornal que quer que você leve a sério as notícias sobre Lula, Dilma, Serra e as eleições do ano que vem é o mesmo que estampa, na notícia sobre a morte de Lincoln Gordon, ex-embaixador americano no Brasil, a informação de que ele foi acusado de colaborar com o Golpe de 1964, mas sempre negou.Por favor, há limites para a ginástica verbal.
Lincoln Gordon não foi acusado por comunistas, estudantes ou jornalistas de esquerda.
Lincoln Gordon foi, documentadamente, de acordo com documentos liberados pelo governo dos EUA, colaborador do golpe.
Não é especulação, picuinha, acusação vil.
É fato, divulgado pelo próprio governo que o pagava salário.
Esse é o Brasil
Não foi nenhuma surpresa.Os teóricos da conspiração já haviam alertado, sendo ridicularizados, ironizados, desautorizados.
Fizeram uma CPI a partir de um grampo nunca provado, voltaram as baterias contra um juiz, exilaram o chefe da ABIN, mudaram o comando da Polícia Federal, afastaram o delegado.
E, assim, ao apagar das luzes de 2009, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu a condenação de Daniel Dantas. O suspeito agora é o juiz que o condenou.
Esse é o Brasil.
Que venha o degelo provocado pelo aquecimento global e inunde esse país.
De repente, a solução é começar de novo.
Obrigado
A felicidade é pretérita, já dizia meu antigo analista. Desde a primeira vez que ouvi essa frase, ela ficou na minha cabeça. Será possível que ninguém tenha noção de que é feliz no exato momento em que está sendo, bom, feliz?
Digo isso porque esse foi um ano cheio de alegrias. Não, não falo só do fato de meu time do coração ter sido campeão brasileiro, mas de muito mais coisas que aconteceram.
Curioso é que 2009 começou sob grande desconfiança. Era o ano da crise, da gripe suína, do caos.
E, de repente, ao menos para mim, as coisas foram acontecendo.
Foi um ano de consolidar esse blog e de bater recordes no número de leitores. Em meu emprego oficial, muita coisa aconteceu também. Coisas boas. Em grande quantidade.
Mas o engraçado é que, de fato, pouco aproveitei de tudo isso. Mesmo no futebol, as alegrias vieram depois de tantos sofrimentos, que os sentimentos se misturaram. Mas foi muito legal.
No trabalho também. Fiz tanta coisa boa, mas, ao mesmo tempo, trabalhei tanto que pouco tempo tive para me dar conta do que tinha feito.
Talvez esse momento de parada de fim de ano seja exato para, não só me dar conta, como agradecer.
Acho que todos nós, não?
Quem acredita em Deus agradeça a Deus.
Quem tem amigos agradeça a eles.
Quem precisou da família agradeça a ela.
Num ano que começou tão complicado, só o fato de ter um emprego (muitos amigos perderam) e não ter morrido de gripe suína já não é uma vitória?
Sem demagogia, hipocrisia ou discurso religioso: obrigado.
E em nome de todos do blog, um agradecimento especial aos leitores.
Digo isso porque esse foi um ano cheio de alegrias. Não, não falo só do fato de meu time do coração ter sido campeão brasileiro, mas de muito mais coisas que aconteceram.
Curioso é que 2009 começou sob grande desconfiança. Era o ano da crise, da gripe suína, do caos.
E, de repente, ao menos para mim, as coisas foram acontecendo.
Foi um ano de consolidar esse blog e de bater recordes no número de leitores. Em meu emprego oficial, muita coisa aconteceu também. Coisas boas. Em grande quantidade.
Mas o engraçado é que, de fato, pouco aproveitei de tudo isso. Mesmo no futebol, as alegrias vieram depois de tantos sofrimentos, que os sentimentos se misturaram. Mas foi muito legal.
No trabalho também. Fiz tanta coisa boa, mas, ao mesmo tempo, trabalhei tanto que pouco tempo tive para me dar conta do que tinha feito.
Talvez esse momento de parada de fim de ano seja exato para, não só me dar conta, como agradecer.
Acho que todos nós, não?
Quem acredita em Deus agradeça a Deus.
Quem tem amigos agradeça a eles.
Quem precisou da família agradeça a ela.
Num ano que começou tão complicado, só o fato de ter um emprego (muitos amigos perderam) e não ter morrido de gripe suína já não é uma vitória?
Sem demagogia, hipocrisia ou discurso religioso: obrigado.
E em nome de todos do blog, um agradecimento especial aos leitores.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Nova Iorque, eu te amo
Entrando no cinema para ver "Nova Iorque, eu te amo", tentava lembrar do motivo que me fez dormir vendo "Paris, eu te amo". Lá pelas tantas, acordei e lembrei.Filmes de historinhas cortadas precisam que essas histórias sejam muito boas. Caso contrário, você gosta de uma, detesta outra, dorme na que vem depois e não tem uma trama central para te prender.
Nova Iorque, como Paris, é uma cidade que fala por si só. Mas isso não a desobriga de ter um bom Woody Allen contando suas histórias.
Caso contrário, qualquer filme vira um amontoado de situações, esperando que o encantamento do lugar salve o todo.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Avatar
Mas será que o futuro é o que andam dizendo? Muita ação, efeitos alucinantes e pouca história? Pior: pouca história, mas contada em duas horas e quarenta minutos!
Ainda não vi o filme, pode ser que eu ache uma grande revolução. Pode ser que, como o chatíssimo crítico Rodrigo Fonseca, de O Globo, eu o considere um western do século 21. Talvez, mas o problema é que por mais que tenha rendido bons filmes, tenho um problema pessoal com o tema faroeste.
Simplesmente porque naqueles longas se celebrava a matança indiscriminada de índios que formou esse país democrático e apegado aos direitos humanos chamado Estados Unidos da América.
O ano é dele
Cesar Cielo é o brasileiro do ano. Se já não bastasse ser um campeão olímpico e recordista dos 100m livres, agora, o supernadador brasileiro bate o recorde também do 50m.Já está pronto para deixar os EUA e voltar para São Paulo, onde, ultimamente, só anda na rua quem sabe nadar.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Amor sem escalas
A lista de indicados ao Globo de Ouro já traz ao menos um filme imperdível: "Amor sem escalas", com George Clooney. Antes de tudo, uma breve confissão: sou fã do George Clooney. Como ator e diretor. "Boa noite e boa sorte" é um dos melhores filmes lançados (não tão) recentemente.Mas a maior atração para mim está atrás das câmeras. Jason Reitman, diretor do filme, é o responsável pelos ótimos "Obrigado por fumar" e "Juno". Dois filmes com aparência moderninha , mas que são mais do que isso, com bons diálogos, roteiro inteligente, enfim, histórias bem contadas.
Se a desse último filme é bem contada, não sei. Mas o argumento parece sensacional, focando a história de um homem que viaja para demitir pessoas.
Nada mais atual.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A retrospectiva da década
A década vai terminando e aqui vai a retrospectiva, muito particular, dos fatos desse dez anos. Esses são os que eu selecionei, mas cada um tem os seus.2000
Foi o ano da bolha da internet, quando milhares de empresas pontocom abriram e fecharam, prometendo uma nova economia, que acabou se mostrando muito parecida com a velha: cheia de verdades fajutas.
2001
Falando em economia, mais uma casa caiu no começo da década: a economia da Argentina. Eles fizeram tudo certinho, seguiram tudo o que os especialistas mandaram e, claro, quebraram.
2002
Como resultado de tanta verdade que se mostrou falsa, o Brasil resolveu arriscar uma vez na vida e votou em Lula para presidente. Claro, foi um risco calculado. O Lulinha Paz e Amor era aliado do Sarney, prometeu não mexer muito na economia, mas foi uma mudança ainda assim. As privatizações esquisitas, por exemplo, pararam. E o Brasil, finalmente, se livrou do Fernando Henrique.
2003
Ignorando a ONU e o resto do mundo inteiro, George Bush invadiu o Iraque. O resultado foi uma guerra desastrosa, que dura até hoje, sem que nunca tenham sido provadas as acusações feitas à época.
2004
Perto de terminar o ano, um tsunami assustou o mundo e causou destruição em diversos países. A causa: um terremoto. Mas foi o bastante para as entidades ecológicas terem um exemplo concreto para mostrar o que aconteceria se as previsões a respeito do aquecimento global se concretizassem.
2005
A CPI do Mensalão prometia transformar Lula num ex-político e devolver o poder ao PSDB. Aí, descobriram que o esquema de caixa dois a ser investigado começou num governo do PSDB e tudo ficou por isso mesmo.
2006
O Brasil assiste a um dos maiores desastres aéreos de sua história, após a colisão de um Legacy com o transponder desligado e um avião da GOL. Em efeito cascata, logo em seguida, começa o caos nos aeroportos.
2007
O novo governo do Rio inaugura uma série de megaoperações em favelas, que tem como consequência uma infinidade de mortos e nenhuma redução na violência carioca.
2008
O ano terminou com péssimas previsões. Uma das maiores crises do capitalismo quebrou bancos, demitiu pessoas e reduziu investimentos.
2009
Para um ano que começou com o medo da gripe suína e péssimas expectativas econômicas, o desenrolar foi surpreendente. A economia brasileira vem se recuperando e o Rio foi escolhido sede das Olimpíadas de 2016.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Fica a dica!
Para quem gosta de música, esse blog é uma ótima pedida. A grande maioria das músicas dos podcasts é de artistas que não tocam na grande mídia e a salada musical é bem variada e 'apetitosa'. Vale a pena conferir. É bem no clima daquelas fitas cassetes que alguns de nós gravávamos para mandar de "presente" para os amigos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A década do futebol carioca

Fui cair na besteira de fazer uma retrospectiva cinematográfica e um amigo (flamenguista), leitor do blog, me desancou. Disse que eu fiz uma lista apressada de títulos do futebol carioca no meio do ano (sim, fiz essa besteira mesmo) e deveria atualizar a década do futebol carioca (eu faço uma lista anual e o cara me pede uma retrospectiva da década).
Sendo assim, vai lá. Antes da lista uma curiosidade: apesar de ter sido a pior década para o futebol do Rio, ela começou e terminou com um título do estado. Vamos aos títulos de cada clube, em ordem alfabética.
Botafogo
Campeão estadual de 2006
Flamengo
Campeão estadual de 2000, 2001, 2004, 2007, 2008 e 2009. Campeão da Copa dos Campeões 2001. Campeão da Copa do Brasil de 2006. Campeão brasileiro de 2009.
Fluminense
Campeão estadual de 2002 e 2005. Campeão da Copa do Brasil de 2007.
Vasco
Campeão brasileiro de 2000. Campeão da Copa Mercosul de 2000. Campeão estadual de 2003. Campeão da série B de 2009.
Nota do Foca: torcedores, por favor, corrijam meus possíveis erros.
Hillary Clinton declarou que os laços da América Latina com o Irã são péssima idéia

Hillary Clinton declarou que os laços da América Latina com o Irã são péssima idéia. Todo mundo sabe que o Irã não é o lugar onde se pratica a maior democracia do mundo, mas, desde que li essa declaração, me pego pensando: o que mesmo a Hillary Clinton tem a ver com os laços da América Latina com qualquer país?
Hillary diz que o Irã é o maior exportador de terrorismo do mundo. Alguém poderia retrucar dizendo que se exportar terrorismo é matar inocentes por aí, quem seria mais terrorista na história do que os EUA, com seus genocídios no Vietnã, no Iraque, a bomba de Hiroshima e o apoio a ditaduras pelo mundo?
Sem falar nas bases militares em países estrangeiros e sua "ajuda" ao Oriente Médio. O Irã, não é preciso lembrar, virou o que é hoje após uma forcinha dos EUA para destruir o que havia de democrático no país.
Mas sem querer entrar nesse mérito, continuo me perguntando: o que Hillary tem a ver com isso? Imagine o contrário. O Irã declara que não acha recomendável a Europa se relacionar com os EUA, por conta de suas constantes intervenções em países produtores de petróleo. A Europa daria de ombros, claro. Então por que, sendo os EUA, alguém tem que ouvir?
Nunca entendi muito bem porque os EUA se dão o direito a certas coisas. Uma delas é o embargo a Cuba. Volto a frisar: não defendo o regime de Cuba e nem queria para mim. Mas quem dá o direito aos EUA matar de fome um país inteiro só por eles não seguirem um regime recomendável? Aliás, quem dá aos EUA o direito de intervir em qualquer país por qualquer coisa?
Existe uma instância chamada ONU. E essa os EUA desrespeitaram quando quiseram invadir o Iraque.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Olga, um sucesso
Pois é, essas meninas do blog são um sucesso mesmo. Agora é a Olga que marca presença no site 30 segundos, do grande José Guilherme Vereza, um dos maiores profissionais da história da propaganda do Rio.Parabéns, gloriosa Olga.
Enchente
Sem trocadilho, não aguento mais chover no molhado.Não queria falar sobre o temporal de ontem e nem do fato de ter ficado, como muitos cariocas, ilhado no trânsito. Amigos, o Rio é sede da final da Copa do Mundo e de uma Olimpíada. Não dá mais para encarar como normais certas coisas.
Não dá para dizer que uma pessoa tomar porrada da polícia numa fila, pular o muro do Maracanã ou ser espremida como gado é resultado da "paixão". Não é paixão, é despreparo, desorganização, incompetência que, somados a uma incivilidade natural do carioca, dá em espetáculos de selvageria.
Da mesma forma, não dá para dizer que uma cidade parar é culpa da chuva. Chove no Rio desde que essa cidade existe. Assim como tem terremotos em Tóquio e furacão no Caribe. Alguns se preparam, outros botam a culpa na natureza.
Pela primeira vez em muitos anos, temos uma prefeitura afinada com os governos Federal e Estadual.
E, ao menos, coragem de mexer em pontos críticos da cidade o prefeito Eduardo Paes já mostrou que tem. O tal choque de ordem , apesar de um ou outro exagero midiático, é bem-vindo, já que o carioca se acostumou com a bagunça, disfarçada na tal história da ginga, da malandragem. Fora que as idéias da prefeitura para o projeto Rio 2016 são excelentes e eu tenho esperança de que vão, sim, promover uma revolução na cidade.
Então, prefeito, mãos à obra.
Eu sei que não foi você que inventou a enchente, mas já que você se dispõs a mudar tanta coisa, vamos mudar isso também.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Papai Noel!
Caros amigos! É com muita alegria que iremos, finalmente, realizar o prometido sorteio de meu livro entre os leitores do blog. A idéia é que todos que quiserem participar se cadastrem através do seguinte email: falecomoprimo@gmail.com e, numa data que ainda será definida, reuniremos os leitores e os colaboradores do blog para realizarmos uma confraternização e o referido sorteio.Estamos esperando a participação de todos vocês nessa empreitada!
Ele já foi o queridinho
A imprensa hoje bate em José Roberto Arruda, mas há pouco tempo, mesmo lembrando que ele já teve um mandato parlamentar cassado, os jornalistas o amavam. Ele era o vice preferido para o Serra. E, coincidentemente, ficou desmoralizado justo quando o Serra começou a dizer que preferia um vice do PSDB. Enfim, apenas uma coincidência. O legal mesmo é lembrar o que a Veja, que hoje bate no cara, dizia dele antes. Vamos rever trechos de uma entrevista.É possível governar sem fisiologismo?
É quase impossível. O fisiologismo está entranhado de uma maneira tal na cultura política brasileira que, hoje, a única diferença entre um governante e outro é o limite de tolerância e flexibilidade em relação a essa prática. É hipocrisia não reconhecer que todos os governos, literalmente todos, praticam certa dose de fisiologismo.
E qual é o seu limite?
É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição. Não dá para entregar um setor de atividade do governo para que um grupo político cuide dele por interesses empresariais escusos. Se peço a um parlamentar eleito para me ajudar a administrar sua base eleitoral, isso é política. Mas, se entrego a esse parlamentar a empresa de energia elétrica, isso não é aceitável. Quando me pedem algo assim, eu aproveito que tenho cara de bobo e finjo que não entendo. Alguns passam para a oposição, mas a maioria continua me apoiando entre aspas e esperando o primeiro momento para me pegar na curva. O problema é que se você entrar nesse jogo não consegue sair mais.
O senhor vai estar em qual palanque em 2010?
Meu partido vai seguir com o PSDB, com o candidato que os tucanos definirem, o governador José Serra ou o governador Aécio Neves. O melhor candidato da oposição será aquele que conseguir construir uma unidade. Nenhum deles ganha sem o outro. Mas alguma coisa me diz que o quadro eleitoral do ano que vem não é esse que está colocado hoje. Tanto da parte da oposição quanto da do governo. Não dá para afirmar que a ministra Dilma, Serra ou Aécio serão os candidatos no ano que vem. Muita coisa ainda pode mudar.
O senhor enfrentou recentemente uma longa greve de professores que derrubou sua popularidade, mas, em vez de ceder, resolveu partir para o confronto. Não há diálogo possível com o sindicalismo?Esse sindicalismo representa um pensamento retrógrado, corporativo, que ainda domina espaços importantes da vida pública brasileira. São células nas quais a união se dá por interesses, não por ideais. Agora o sindicato está contra a proposta que condiciona o 14º salário dos professores ao resultado das escolas. Foi graças a esse enfrentamento que consegui produzir uma revolução na educação. Brasília já tem 200 escolas públicas com educação integral. Cinquenta mil alunos que chegam à escola às 7 da manhã, fazem três refeições e saem às 5 da tarde. Hoje os 28 000 professores da rede pública têm laptop. Praticamente todas as escolas estão ligadas no wireless ou na banda larga. A questão é que isso só vai dar resultado em dez anos, e o brasileiro é muito imediatista.
O senhor foi personagem de um dos maiores escândalos da história do Senado, a violação do painel de votações. Por causa disso, o senhor renunciou ao mandato. Há algum paralelo entre a sua situação e a do senador Sarney?
Quando você está ali, no Senado, você pensa que é Deus. Eu cometi dois grandes erros: vi uma lista que não deveria ter visto e tentei esconder isso. No momento em que percebi que seria mais um que erra e não assume, preferi outro caminho. Eu reconheci o erro, paguei um preço muito alto por isso, que foi minha saída do Senado, e recomecei do zero. O que tem de semelhança é o erro. O que tem de diferença é que reconheci meu erro. E graças a esse reconhecimento consegui dar a volta por cima.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Amanda, um sucesso
E mais uma vez nossa leitora Amanda alça voos muito maiores do que esse humilde blog. Lá está ela novamente no site Pavilhão Tricolor. Há quem diga que a torcida do Fluminense em peso já a tem na galeria dos tricolores ilustres, ao lado de Nelson Rodrigues, Hugo Carvana e Cartola.
Os melhores do ano
Está terminando mais um ano e chegou a hora de elegar os melhores - e talvez os piores - do ano. Sem a pretensão de querer falar de tudo, escolhi uma área em que não sou especialista, mas como bom apreciador, vi muita coisa: cinema.Vamos às minhas escolhas de melhores filmes de 2009:
Quem quer ser um milionário?
Tá bom, é uma visão americana da Índia, que está longe ser a maravilha que vendem, tem uma dancinha estúpida no final e um final feliz meio boboca. Mas, vá lá, é divertido.
Milk
Seann Penn é um ótimo ator e faz desse filme uma peça bem menos panfletária do que gostaria de ser e mais uma ótima história a ser contada.
Frost/Nixon
Os jornalistas gostam mais desse filme do que o público comum. A graça dele está no atores e nos debates que eles travam.
Gran Torino
Clint Eastwood é o cara.
Simonal - Ninguém sabe o duro que dei
Tenho minhas reservas em relação à beatificação do personagem causada pelo filme. Mas é um puta filmaço. História bem contada, passagens divertidas, muita música e polêmica.
500 dias com ela
A menina é uma gracinha e o filme é uma ode à não-idealização da vida.
Se beber, não case
Puta comédia. Daquelas que há muito tempo não se via.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Parabéns, Amanda
Num dia de tantas lembranças tristes, eis que fico sabendo que essa é também uma data feliz: aniversário da Amanda.A Amanda, como muitos leitores desse blog, nunca vi na vida.
O que não a impede de ser parte fundamental desse espaço, peça de uma engrenagem que só funciona porque suas muitas peças funcionam sempre, uma ao lado da outra.
Amanda, com apenas dois textos nesse blog, já tem fãs. E nós somos obrigados a dividi-la com outros sites, que pedem para reproduzir seus pensamentos. Fazer o quê?
Afinal, há muito tempo, esse blog deixou de ser apenas desses carinhas que aparecem na lista de colaboradores. E é bom termos moças como a Amanda para fazer esse espaço se manter inteligente e de alto nível.
Que ela apareça sempre aqui.
Nota do Foca: além de tudo isso que eu disse, a Amanda também é muito tímida. O que explica não termos uma foto dela para ilustrar o texto.
Dois gênios
Um amigo me lembrou que hoje também é aniversário da morte de John Lennon. Curiosamente, tanto ele quanto Tom Jobim morreram em Nova York, não tendo nascidos na, para alguns, capital do mundo.Musicalmente, sempre gostei mais do Paul.
Como figura, preferia o John.
Como amante da música, ouço John, Paul, Tom e muitos outros.
Ciscando pra dentro...
Aproveitando o clima musical dos posts abaixo, resolvi aproveitar o espaço para fazer uma propagandazinha minha. Amigos do blog, além de garatujar aqui e tirar expediente num matutino carioca, eu também me arrisco na música, compondo, arranhando o baixo e o violão e estou no meio do processo de gravação do CD de meu projeto musical, que chamei de A Fábula. Caso tenham curiosidade de saber o que ando aprontando no mundo musical, é só dar uma passeada nesses links abaixo.Myspace
PalcoMP3
Ok, ok, ok... é um sacrilégio aproveitar Lennon e Tom como gancho pra falar de minhas musiquinhas, mas espero que perdoem esse atrevimento!
O desenho acima é meu, com um trecho de uma das canções, chamada "Aspirina Blues".
Saudade em Tom maior
Há quinze anos, morria Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Tom Jobim, para nós e o mundo, que até hoje o reverencia.Brasileiro no nome, musical no apelido, Tom foi embora cedo, aos 67 anos. Tempo suficiente para mudar a cara da música brasileira e deixar uma herança maior do que o seu tempo de vida.
Tom era um pouco a cara do Rio. Nasceu na Tijuca, morou em Ipanema e juntou um poucos dos dois: o ritmo do samba e a sofisticação do jazz, fazendo uma bossa que o mundo inteiro reconhecia como nova.
Compositor, pianista, violonista, arranjador, maestro, o músico era, acima de tudo, um homem de parcerias vitoriosas. Com cantoras, músicos e, principalmente, com um dos grandes poetas do Brasil, Vinícius de Moraes.
Ao contrário do que dizem alguns críticos, Tom não negou o samba ou a música popular. Ao contrário, suas canções eram a exaltação do som do povo, com o refinamento que lhe era habitual. Sua música era a garota na praia cantada por Frank Sinatra, as chuvas de verão na voz de Elis Regina, a batucada com poesia, o piano na Mangueira.
Tom e Vinícius não negaram. Eles continuaram a música de Pixinguinha, Noel Rosa, Villa-Lobos e outros, que, depois, seguiu com Chico Buarque, Caetano, Gil, Cartola, Beth Carvalho e o Cacique de Ramos.
Como a Vila de Noel, Tom não veio para abafar ninguém. Apenas para mostrar que fazia música também.
E como fazia.
O que é o Fluminense - Por Amanda
Audrey Hepburn uma vez disse... Mas, peraí, por que estou citando Audrey Hepburn? O que ela pode ter a ver com o assunto? Calma, para quem não se lembra, Audrey, além de dona do rosto mais perfeito que o cinema já viu, era aquela elegantérrima atriz de traços pequeninos e delicados que surgiu para o cinema em uma época que tipos como o dela não davam lá muito ibope.Era a época de musas curvilíneas, roliças e peitudonas, de cintura fina de pin-up e uma beleza estilo perua como a de Elizabeth Taylor, ou de (falsas) louras fatais como Marylin e Jane Mansfield.
E Audrey, magrinha e sutil, com seu rosto perfeito e suave, sua beleza discreta e seus sapatos sem salto, foi acusada de não ter sex appeal. Um produtor disse que ela não era uma mulher que os homens quereriam levar para a cama. Ao que ela respondeu: “Eu não sou a mulher que os homens querem levar para a cama. Sou a mulher por quem os homens se apaixonam”.
O Fluminense também é assim. O Fluminense não é a louraça gostosona. Não é a peituda belzebu. Não é o mulherão que atrai de cara todos os olhares. Não.
O Fluminense exige mais. O Fluminense é sutil. É refinado. É mais difícil. Não foi mesmo feito para multidões, não, ele é mais selecionado. Ele exige apuro no paladar.
Paciência. Alguma maturidade. Discrição. Não tem vontade de aparecer, de ser sempre o centro das atenções. Não é megalômano. Não é dionisíaco.
Tem o seu discreto charme. Sabe o valor do verdadeiro refinamento, aquele que se revela nos detalhes, na constância, na simplicidade.
O Fluminense é a mulher mais linda da festa, mas que não faz questão de chamar atenção para sua beleza o tempo todo.
É a mulher que se senta quieta em sua mesa, enquanto as outras vão disputar o centro da pista. O Fluminense é aquele homem que ganha a moça na conversa, devagar, aos poucos, falando baixo.
É aquele livro que não está na lista dos mais vendidos, mas que se chega às suas mãos, transforma sua vida. É aquele filme independente, que não vai estourar nas bilheterias, mas com um conteúdo inesquecível. Não é micareta, é um diálogo. Não é bombação, é intimidade. Não é o point, é selecionado. Não é jamais histérico. É sempre sutil.
Não é nada, nada fácil ser Fluminense. Exige segurança o suficiente para nadar contra a corrente. Não ser Maria vai com as outras. Não se deixar levar pelo oba-oba da maioria.
É saber, às vezes, sustentar sozinho uma conversa em mesa de bar. É ter a certeza de que quantidade e qualidade podem ser diametralmente opostos. É saber que jamais, jamais, em tempo algum, se contará com qualquer apoio da mídia e das organizações oficiais.
É saber que a luta que se luta só é mais difícil, mas tem mais valor. É ter consciência de caminhar solitário, mas jamais abandonar seu caminho. É desafinar o coro dos contentes. É nadar contra a corrente. E, acima de tudo, ter fé no amor.
Sim, fé no amor, mas não esse amor de multidão, esse amor comum, esse amor de bêbado, de beira de calçada, de fim de noite. Não. Isso, para nós, é pouco. Amor, para nós, é eterno, é absoluto, independente de qualquer circunstância.
Nossa historia, que se confunde com a própria historia do futebol brasileiro, essa historia de imensas glórias, de imortais craques, de eternos ídolos e incontáveis conquistas, sofreu sérios arranhões na década de 90, a partir de quando nos tornamos a Geni do futebol brasileiro. Joga pedra no Fluminense. Joga bosta no Fluminense. Ele é feito para apanhar, ele é bom de cuspir.
Mas, mesmo solitários, nós não desistimos. Pois nos sabemos destinados à grandeza, mesmo na derrota. Sabemos que somos únicos, mesmo quando desacreditados. E sabemos que nosso amor é insuperável e inigualável.
O Fluminense pode não ser o amado pelo maior numero de pessoas, mas certamente recebe o maior amor do mundo daqueles que o amam. Um amor que superou uma década negra como nenhum outro grande clube brasileiro jamais viveu. Um amor que provou errados todos aqueles que diziam que estávamos acabados. Que o fim havia chegado.
Coitados...
Não previam a nossa capacidade de doação, a grandeza e a profundidade do nosso sentimento. Um sentimento tão absoluto que provou ser o clube uma Fênix infinita, que renasce muitas e muitas vezes.
Dane-se a mídia, danem-se as multidões. Dane-se a histeria coletiva. Nós não precisamos deles. Acabamos de dar mais uma prova de nossa grandeza, de nossa criatividade, de nossa originalidade, de nossa devoção. Todas as dificuldades que encontramos só nos engrandecem.
Não, não somos para todos. Não, não somos a opção mais fácil. Em torno de nós, não há jamais oba-oba, histeria, rasgação de seda. Sim, somos um espetáculo de público mais selecionado. Sim, nossa sutil grandeza pode não ser percebida. Por isso mesmo, somos como aquela moça citada lá em cima. Não somos o “tesão da galera”. Não somos a mais gostosa da VIP. Somos muito mais do que isso.
Somos puro, verdadeiro, constante, pacifico, sólido, maduro e absoluto amor.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O Glorioso sempre entre os grandes - Por Olga
Ó, eu aqui outra vez, dando uma de cronista. Mas não consegui resistir a um pedido do blogueiro amigo Foca. E falar de futebol, principalmente do Botafogo, é um desafio tentador.Esse time que nasceu de uma gurizada, que jogava pelada ali onde hoje é a Cobal, no Humaitá, e que, segundo um torcedor, teria sido este o motivo da eterna adolescência do Glorioso, já motivou crônicas definitivas.
Por isso, me atrevo apenas a falar um pouquinho do torcedor. Este ser irracional, que se deixa levar, sempre, pela paixão e que faz coisas do arco da velha.
Meu pai, um gaúcho botafoguense, que veio tentar a sorte no Rio, em 1959, a primeira coisa que fez ao botar os pés aqui, pela primeira vez, foi deixar minha mãe, grávida do primeiro filho, na casa de parentes, e ir ao Maracanã assistir ao jogo do Botafogo.
E lembra sempre da emoção de pisar no maior estádio do mundo e ver, extasiado, Nilton Santos e Garrincha jogarem.
Mesmo nas piores fases do clube, meu pai sempre se orgulhou da escolha futebolística e acha, acha não, tem certeza, que a estrela solitária é o escudo mais bonito do planeta.
Ontem, após o jogo, resignado, este homem pragmático e racional e que poucas vezes vi chorar, me disse emocionado: “Estou me sentindo cansado (ele anda doentinho), acho que foi a tensão, mas estou feliz. A gente conseguiu se manter entre os grandes.”
Pouco, não, para um clube que se reconhece como Glorioso? Mas é o que coube, fazer o quê?
E, sem dúvida alguma, ontem, foi a paixão que motivou a torcida botafoguense, desencantada com a constante mediocridade do seu atual time, e tão cobrada pela falta de apoio, encher o Engenhão, numa festa linda, cheia de cânticos e gritos de incentivo, ainda que para torcer somente pelo não-rebaixamento.
Deve ser a tal da labareda que se acende após o recolhimento e a depressão, que o poeta diz ser a marca do torcedor botafoguense, este ser trágico.
Dizem que ser botafoguense não é pra qualquer um, não deve ser mesmo.
Olga
domingo, 6 de dezembro de 2009
Flamengo Hexacampeão Brasileiro
Depois de 17 anos, o Flamengo é novamente campeão brasileiro. A conquista teve um pouco a cara dos grandes destaques do time. Começando por Ronaldo Angelim, o autor do gol do título. Nordestino, humilde, perfil de muitos que invadiram o Rio nesse final de semana.Teve também uma pitada de Petkovic. Talentoso, birrento, irreverente, vibrante. O toque estrangeiro, como o de Maldonado, grande meio-campista chileno. Dizem os gaiatos, com aquela dose de preconceito que aflora da arquibancada, que os dois são a cara do Fla: talentosos, raçudos e...falam mal português. É a maldade nossa de cada dia do futebol.
O título foi um pouco também de Adriano, aquele cara trombador, que leva tudo na força, na vontade, como o brasileiro comum. Que faz besteira, pede desculpas e...faz besteira de novo. E, no final, chora como uma criança.
Eu sei que nenhuma vitória pode apagar o comportamento desse jogador. Que ele se trate e tenha uma vida normal. Mas, sei lá, eu tenho simpatia pelo rapaz. A vitória dele parece um pouco como uma vitória de toda a Vila Cruzeiro, lugar tão violento quanto esperançoso.
E foi, claro, o ano de Andrade. O ano em que nos livramos dos técnicos engravatados, da fala empolada, do mau-humor, da matemática (e dos matemáticos). Andrade tem uma história no Flamengo, é elegante, inteligente e discreto. É um pouco como cada um desses ídolos que aprendemos a amar, independente de que time ele defenda.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A ginástica verbal
A ginástica verbal dos jornais de hoje está de emocionar. Como os últimos acontecimentos não têm sido muito favoráveis, com o mensalão do Governo do Distrito Federal e em Minas, o jeito é tentar usar as palavras.Para começar, o tal mensalão, palavra usada para sempre citar o governo Lula em todas as reportagens, deve ganhar um tom regional, se possível, pessoal. É o Mensalão Mineiro ou Mensalão de Eduardo Azeredo.
Outra coisa importante é citar a dimensão do escândalo do governo Lula. Na primeira página, é dito, meio que a troco de nada, que o mensalão do Lula teve mais de 40 pessoas acusadas. Sim, porque eu tenho certeza que o de Minas envolveu uma pessoa só. Que cara sapeca, hein?
Mas a parte hilária é quando se embaralha a cronologia. O Mensalão Mineiro "também envolveu Marcos Valério, um dos participantes do Mensalão de Lula". O jornal só esquece de dizer que o Mensalão Mineiro veio antes.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A sorte ajuda
Na política, o acaso, às vezes, ajuda mais do que todas as estratégias. É o que acontece agora, com a desmoralização do PFL no exato momento em que José Serra defende a tese de um chapa puro-sangue para o PSDB.Serra é um homem de sorte. Em 2002, sua candidatura ameaçava não decolar, por conta da ascensão de Roseana Sarney, que desejava se tornar presidente. Aí, o acaso fez com que uma operação da Polícia Federal jogasse os planos pelo ralo, abrindo caminho para o tucano.
Agora, Serra se vê líder das pesquisas, mas dependente de um vice forte, como Aécio Neves, para decolar de vez. Ao mesmo tempo, o principal partido aliado, o PFL, faz críticas a ele.
Numa só tacada, o problema parece encontrar uma solução. Os críticos ficaram abalados e isso, consequentemente, trouxe uma nova possibilidade: não colocar o partido aliado como vice, para evitar o desgaste do escândalo.
Até porque uma grande coincidência acabou acontecendo: o favorito para a indicação do PFL era José Roberto Arruda.
Isso faz da política algo fascinante. Nela, o acaso funciona mais do que qualquer plano.
Carta ao senhor Leonardo Moura
Caríssimo senhor jogador de futebol Leonardo Moura,Talvez não tenham te avisado, mas há uma grande diferença entre jogador e torcedor, ainda que eu duvide que você torça para algum time.
Rivalidade e gozação sempre existiram no futebol e é o que dá graça ao jogo. Mas, em relação à segunda, o lugar dela é na arquibancada. Ou em botequins. Nunca numa gracinha de um jogador.
Você, por acaso, achou que os flamenguistas iam achar graça de suas palavras, que iam te aplaudir e dar força? Esse descompromisso explica suas caras de espanto ao ver um gordinho do México dar um baile num jogo em que vocês acharam que bastava fazer festa.
Seu desrespeito não é só com o Fluminense, não. É com a própria camisa que veste, pois sua obrigação nesse momento é de se concentrar no jogo de domingo, não ficar brincando de torcedor na internet.
Mas desrespeito é uma tônica nesse time do Flamengo e parece ser a forma que vocês escolheram para retribuir o fato de milhares de pessoas, muitas com muito pouco dinheiro no bolso, dormirem em filas de bilheteria para ver vocês.
Em troca, vocês dão "acidentes com lâmpadas", xingamentos contra os torcedores, como você fez, senhor Leonardo Moura, e desprezo de um goleiro que diz amar o clube por um profissional como o Andrade.
Vocês são novos, ricos, namoram modelos lindas e não têm a menor noção da grandeza de clubes como Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo.
Ontem, quando o time do Fluminense fazia o contrário de você, senhor Leonardo Moura, retribuindo o carinho da torcida, em vez de escrever gracinhas, você devia ter prestado atenção nas imagens que passaram do Estadual de 83.
Nelas, o Fluminense dependia de uma vitória do Flamengo para se sagrar campeão. E o Flamengo, aquele Flamengo de craques que você e o Bruno parecem desprezar, jogou como homem e venceu.
Sim, porque mais do que jogadores, muitos craques hoje estão precisando mesmo aprender a ser homens. Não no sentido machista, de sair na porrada. Mas de provar sua honra e seu caráter.
Forte abraço,
Foca
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Lula apanha por tudo
Eu não sei em que momento os problemas de corrupção do governador do Distrito Federal passaram a ser culpa do Lula, mas a impressão, para quem lê os jornais de hoje, é essa.Chamada na primeira página, editoriais, opiniões dos leitores, todos acabando com a raça do presidente.
Antes mesmo da fala que tanto gerou repercussão, o simples fato de chamar o escândalo da vez de "novo mensalão" já dava um recado: "nem tente condenar, porque senão a gente lembra o caso de vocês".
Lula não condenou. E apanhou por isso.
Mas o curioso da história toda é a dimensão reduzida dos fatos. Se um político ligado a Lula faz qualquer coisa, não há um articulista que não estabeleça a relação.
Mas e o contrário?
José Roberto Arruda é aliado histórico de José Serra. Assim como Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul afundada em denúncias cada vez mais graves de corrupção. Mas esse é um pequeno detalhe que não merece ser mencionado.
No fim das contas, quem apanha nos jornais por causa das imagens vergonhosas é Lula.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Um prêmio para uma torcida apaixonada
Em 2007, a tradicional festa dos melhores do Brasileirão teve um prêmio inédito: o de melhor torcida do ano. A vencedora foi a do Flamengo. Era justo. O time tinha saído da zona do rebaixamento para a Libertadores, com a ajuda de torcedores que lotaram o Maracanã e fizeram parte da alegria de um campeonato meio mala, em que o São Paulo liderou do começo ao fim, o Flu jogou pensando na Libertadores do ano seguinte e o Timão, outro clube de massa, era rebaixado.Na época, a torcida do Flamengo mostrou ser mesmo essa torcida que, como escrito nas arquibancadas, "faz a diferença".
O tempo passou e esse prêmio nunca mais foi entregue. Isso porque não era um prêmio fixo. Havia sido um agrado. Na verdade, talvez, um cala-boca por conta da polêmica da tal Taça das Bolinhas.
Mas é injusto não retomar o prêmio esse ano. E, apesar de a torcida do Flamengo estar lotando o estádio e batendo recordes, seria interessante que outro time fosse homenageado.
Quem? O Fluminense, por que não?
Vejamos a trajetória.
Há alguns meses, quando o time era dado como rebaixado, com 99% de chances de cair, a torcida não se importou e lotou o Maracanã. Foi esboçada uma tímida reação, que parecia inconsistente. Mas a torcida continuava dando apoio e lançando modas, como seu belíssimo mosaico.
O resultado de tanto apoio foi uma arrancada quase milagrosa (digo "quase", porque o Fluminense sempre teve bons jogadores) no Brasileiro e avanços consecutivos até a final da Sul-Americana.
Se já não bastasse o apoio desde a época das vacas magras, na última semana, ela deu o golpe de misericórdia. Com a derrota de uma exausto time na altitude, os torcedores não se abalaram e, no dia seguinte, fizeram uma festa no aeroporto.
Festa essa que já haviam feito anteriormente para o ídolo Washington, num movimento que começou na torcida e foi encampado pelo clube.
E eis que, mesmo diante de uma desvantagem enorme, o Maracanã estará lotado amanhã, na final da Sul-Americana, e o time está fora da zona do rebaixamento, decidindo num difícil jogo fora de casa.
Seja qual for o resultado, a torcida já fez sua parte. E continua fazendo, já que, até o momento, tem conseguido eleger Conca o craque do campeonato no voto popular, mesmo disputando com Petkovic, ídolo do time de maior torcida do Brasil.
Enfim, dona CBF, depois de tanto bajular Rogérios Cenis e Muricys, que tal dar prêmios a quem realmente faz o espetáculo? Começando por uma torcida que transformou um, até poucos meses, desanimado time numa das grandes atrações desse fim de campeonato.
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